Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
1
16 de Dezembro de 2004 às 00:00
Ainda com a Constituição Europeia por aprovar, em quase todos os países subscritores, o alargar da comunidade à Ásia Menor suscita novos problemas. Para mais, quando esta extensão só se entende pela vontade de aumentar o mercado e o peso económico da UE: são mais 70 milhões de consumidores e um PIB não menosprezável. No resto, tudo parece contrariá-la.
Fora o facto do Império Romano ter reinado por lá e os conquistadores otomamos terem chegado às portas de Viena, de Áustria, no séc. XVI, a Europa e a Turquia são realidades diferentes. Trata-se de um país nove vezes maior do que Portugal que tem na Europa apenas 3% do seu território, ou seja um pouco menos que o Alentejo.
Questão geográfica à parte – porque alguns pensarão que Europa é onde o homem quiser – subsiste uma divergência religiosa: a Turquia é 99% muçulmana. É evidente que os fabricantes da Constituição Europeia atalharam caminho, evitando no texto quaisquer referências à importância histórica do cristianismo no Velho Continente. O facto não evita que um europeu se admire que uma boa parte dos políticos do partido no poder na Turquia tenha legalmente duas mulheres.
A geografia, a história e vida actual não facilitam uma concertação com a Turquia por muito que a economia a recomende. Os participantes no Conselho Europeu não o devem esquecer.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)