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Correio da Manhã

Opinião
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7 de Outubro de 2012 às 01:00

O Arco Mediterrâneo tende por isso a aproximar as duas margens criando uma nova fronteira no interior da Europa, e se a terapêutica prescrita continuar, o empobrecimento do sul europeu fá-lo aproximar do Magrebe a criar solidariedades até agora desconhecidas.

A crise não é pois apenas económica, financeira e social. Ela pode implicar consequências políticas a longo prazo, ao consagrar roturas inevitáveis.

Como pode um cidadão português, espanhol, grego, cipriota ou italiano reagir ao comando de Bruxelas e Frankfurt, sem se sentir excluído, punido ou afastado?

Não está em causa uma alteração de comportamento, de produtividade, de atitude por parte das sociedades e indivíduos daqueles países, mas a brutalidade e o ritmo das imposições são de tal monta, que o risco de rotura social está às portas.

Se na margem sul do Mediterrâneo se desenvolveu uma "primavera árabe", na sua margem norte é previsível "o inverno do nosso descontentamento".

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