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Correio da Manhã

Opinião
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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Eduardo Dâmaso

O lixo que a justiça deixa

O julgamento do processo da Cova da Beira é um exemplo radical do lixo que a justiça gera e deixa a boiar em águas estagnadas anos a fio. Depois da investigação que este caso teve, dificilmente poderia ocorrer outro desfecho. Basta reter uns quantos factos.

Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 2 de Março de 2013 às 01:00

O caso começou com uma averiguação preventiva que demorou dois anos, durante os quais foi recolhida muito pouca informação. Depois, entre 1999 e 2001, já como inquérito, os autos estiveram literalmente parados no Ministério Público sem uma única diligência realizada. Nesse período, o magistrado titular do caso recusou-se a fazer buscas a casa de José Sócrates, visado inicialmente na investigação, por entender que os indícios não eram suficientes para incomodar uma pessoa tão importante na sociedade portuguesa, conforme declarou na TVI.

Com início tão rocambolesco, o processo viria a morrer com pedidos de informação bancária a diversos paraísos fiscais e com as sucessivas reclamações e recursos dos arguidos António Morais e o empresário Horácio de Carvalho. De resto, não foram ouvidas testemunhas essenciais, não foram procuradas explicações para concursos ‘martelados’, enfim, esta é uma investigação indecorosa para o Ministério Público e para a Polícia Judiciária. É um verdadeiro exemplo de escola sobre o que não pode ser feito na investigação criminal. E, também, sobre como a investigação pode ser ‘orientada’ vá se lá saber a partir de onde...

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