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Correio da Manhã

Opinião
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11 de Janeiro de 2012 às 01:00

Para um País atónito com a violência da austeridade que o confronta pela primeira vez com a sina de empobrecer como cura estrutural para males que geram uma aversão geral pela política, Vítor Gaspar afirmou-se como uma singular arma no primeiro semestre do Governo Passos Coelho.

Face à impreparação do Primeiro--ministro, às ausências habilidosas de Portas e à desconfiança relativamente ao pequeno Rasputine Relvas, Gaspar emergiu como uma referência de solidez profissional, dedicação ao serviço público, falta de jeito geradora de empatia e uma simplicidade desarmante que apagava a devoção ideológica pela ortodoxia monetarista caldeada pelos gabinetes da finança internacional.

É uma surpresa a popularidade do Ministro entre tantas maldades anunciadas, qual reconhecimento pela colher que dava o óleo de fígado de bacalhau. É por isso demolidor para a credibilidade da maioria de direita, a esboroar-se numa semana de corrosão Mozartiana, a trapalhada associada ao milagre estatístico do défice de 2011 e à insólita derrapagem precoce da execução de 2012 que ainda antes da publicação do Orçamento levou à confissão de um desvio monumental e à promessa de lei retificativa.

Em matéria de expedientes irrepetíveis, para citar o próprio, Gaspar bateu o recorde de Ferreira Leite, e só em 2011 usou mais receitas extraordinárias que em 6 anos Teixeira dos Santos. O drama é que aparentemente entre a Madeira, as pensões dos bancários e as despesas da saúde, as cabeças do monstro multiplicam-se em 10 dias do ano mais penoso de sempre. O Banco de Portugal deu a machadada final na esperança ao confirmar que estamos perante a maior contração económica de sempre e que 2013 será um ano de estagnação com todos os indicadores negativos exceto talvez as exportações. Está na hora de retomar o consenso em torno de medidas de apoio ao crescimento e ao emprego.

O pequeno mago das finanças, afastada a demagogia das gorduras de corte fácil e o terrível Sócrates, é a maior vítima da maldição do défice. Ao pé disto, o escândalo Catroga and friends são meros pelos púbicos.

Opinião segundo as regrasdo Acordo Ortográfico

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