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Correio da Manhã

Opinião
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3 de Setembro de 2003 às 00:27
Os brasileiros dizem que Scolari não gosta de mel, gosta de abelhas. Mas por cá temos um treinador que nem de mel, nem de abelhas: o que ele mais procura é o ferrão das vespas. O FC Porto-Sporting ainda nem sequer começara e Mourinho já era a figura da jornada. Talvez até do ano. O “Record” justificava-o a toda a largura na manchete de domingo: “O Sporting vai pagar.” E pagou. Pagou cedo: sofreu um golo logo aos três minutos de jogo e mais três até ao final. Num país com medo das palavras, o treinador portista passa por intelectual. Mesmo quando diz uma mão-cheia de asneiras. Com José Mourinho tudo é pose e construção; nada é natural, até quando fala de improviso. Na ressaca da derrota com o Milão, ele deu a volta à agenda informativa. Não permitiu que se instalasse a dúvida nos jornais e entre os seus futebolistas. Mesmo que a Supertaça Europeia tenha exposto as poucas fraquezas do FC Porto neste início de época – se o Milão tivesse durado os 90 minutos o balanço seria mais cruel –, o que ficou para a história foram as afirmações musculadas do treinador. Mourinho é um guerrilheiro sem medo do ridículo. Talvez por isso se tenha casado tão bem com Vale e Azevedo nos tempos do Benfica. Ambos têm a mania das grandezas. Ambos atiram o peito para a frente e dão o peito às balas. Ambos parecem caricaturas. E a semelhança fica-se por aqui. Porque o treinador portista é um triunfador. Se vendesse carros usados, seria o mais rico. Como é treinador de futebol, é o mais temido. E o melhor em Portugal.
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