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Correio da Manhã

Opinião
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27 de Outubro de 2008 às 09:00

Para todos os efeitos de propaganda, as coisas são como são e, se não aparecem mais empresas, é porque assim o entenderam. Livremente. Recorde-se, a propósito, de que a dívida do Estado às empresas oscila entre os 2,5 mil milhões e os três mil milhões. Acontece que um dirigente de uma associação de empresas de construção civil, um dos sectores com mais razões de queixa do Estado mal pagador e caloteiro, veio a público dizer que a lista não só é inútil como pode ser altamente prejudicial. E o homem, com uma infinita ingenuidade ou malícia rebuscada, explicou que as empresas poderiam ser altamente lesadas em futuros negócios com o Estado se aceitassem pôr o seu nome no rol dos credores. Assim, com toda a simplicidade e sinceridade, este senhor veio mostrar a quem ainda tivesse dúvidas que o medo existe, anda por aí, e que a liberdade está cada vez mais parecida com um lenço de papel neste sítio manhoso, pobre, hipócrita e cada vez mais mal frequentado.

Num momento de crise violenta, com o Mundo em bolandas e os responsáveis políticos às voltas como baratas tontas à procura de uma saída airosa e dos culpados pela situação calamitosa a que isto chegou, é natural que o senhor presidente do Conselho, do alto da sua arrogância, afirme que todas as famílias e empresas necessitam da ajuda do Estado. Talvez seja por isso que o Governo passa praticamente incólume com a trapalhada da pen do Orçamento do Estado, que o ministro das Finanças sai poupado de duas patéticas conferências de Imprensa e que ninguém se indigna com o escândalo da tentativa mafiosa de alteração da lei de financiamento dos partidos políticos com o corte de uns artigos na proposta de Orçamento para 2009.

Talvez seja por isso também que Sócrates pode anunciar o aumento do salário mínimo como se fosse a primeira vez. É o verdadeiro regresso ao passado, ao ‘quero, posso e mando’, em que pequenos tiranetes sem nível chegam ao poder pelo medo, legitimados pelo voto.

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