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Correio da Manhã

Opinião
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24 de Março de 2011 às 00:30

Mas para os responsáveis partidários o que interessa é que o partido esteja forte e recomendável, sacudindo, cada um à sua maneira, a sua quota parte de responsabilidade na derrocada do Estado. Todos ajudaram nesta derrocada vergonhosa. Todos têm telhados de vidro, ninguém pode atirar a primeira pedra. O que os move e interessa são as clientelas, as claques e o poder. O País e os portugueses pouco importam, a não ser em época eleitoral. Há muito que se previa o fim do regime e das políticas que estavam a ser seguidas. No Parlamento nunca se puseram de acordo, com acordos de regime alargado para salvar Portugal. E, agora, para espanto de todos, estala a crise política por questões de forma e não de substância. Ao que isto chegou.

O que interessa é a forma como o novo Programa de Estabilidade e Crescimento foi apresentado e não o seu conteúdo. Se estivessem interessados nos desígnios nacionais a forma quando muito devia servir, apenas, para puxar as orelhas a José Sócrates. E nada mais. Mas o cheiro a poder lança as aves de rapina em voo picado sobre um governo que está fraco e em morte lenta.

Apesar da inabilidade política revelada com a apresentação deste novo PEC, o problema que está em causa não se chama José Sócrates, mas Portugal. E todos mais uma vez preocuparam-se mais com o acessório do que com a essência do problema. A continuar assim, com estes políticos fracos e incompetentes e com estas políticas típicas de um Estado Protectorado, nada vai mudar num cenário de eleições, com um novo governo. Chame-se Sócrates, Passos, Portas ou Seguro o próximo primeiro-ministro.

É certo que muita coisa está mal entre nós, má gestão do erário público, despesismo, obras faraónicas, parcerias público-privadas que só servem para enriquecer as famílias políticas e empobrecer o País, a política ilimitada dos boys e o crescimento irresponsável da administração pública. Mas o que verdadeiramente está mal e ninguém quer discutir é o modelo europeu de financiamento dos Estados-membros. As economias periféricas e pobres como a nossa não aguentam esta forma cega de controlo do défice. Portugal, Grécia, Irlanda, Espanha, Bélgica e outros deviam aproveitar este momento de crise não para sacrificar e sufocar ainda mais as empresas e os rendimentos das famílias, mas para exigir um novo modelo de renegociação da dívida soberana, com juros mais justos e realistas. Senão vão de PEC em PEC até à bancarrota, com os mercados e os credores a mandar nos destinos nacionais. E compreendam que este é o único caminho, pois as famílias, os reformados, os pensionistas, os trabalhadores e os jovens não podem continuar a ser brutalmente sacrificados e esmagados na sua dignidade.

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