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Correio da Manhã

Opinião
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27 de Abril de 2003 às 00:00
O insucesso das manhãs da TVI é, provavelmente, o maior mistério da televisão portuguesa. Poucos saberão interpretar o fenómeno, e sobretudo explicá-lo cabalmente, mas devem ser estes fracos resultados matinais que têm impedido a estação de José Eduardo Moniz de alcançar números mais convincentes no seu "share" global. No tempo em que metade do País via a SIC (com Emídio Rangel, os números chegaram a andar, durante alguns meses, acima dos 50 por cento!), o domínio da televisão de Carnaxide era esmagador em todos os períodos do dia. E não só no horário nobre, o que se verifica hoje com a TVI. Por isso mesmo, a liderança da televisão, em Portugal, faz-se agora com apenas dois, três pontinhos de avanço – sendo que, por vezes, até se regista a salutar alternância. Não se pode dizer que Moniz não tem tentado. Tem. E aparentemente bem. O verdadeiro arranque das manhãs da TVI deu-se com Sofia Alves ("As Manhãs de Sofia"), numa altura em que a popularidade da actriz estava no auge. O projecto falhou em absoluto. Depois de Sofia, veio Teresa Guilherme. Novo falhanço, talvez até mais surpreendente. Atordoado com a "pancada" que continuava a levar na guerra das manhãs, José Eduardo Moniz procurou nova solução. Talvez a melhor: Manuel Luís Goucha. Desta vez, o ataque parecia ter um duplo efeito: o profissional que a TVI estava a contratar era, "apenas", o grande vencedor (até então) deste "campeonato". Durante oito anos, Goucha havia feito, com total sucesso, a "Praça da Alegria", na RTP. Uma estrela de primeira grandeza chegava a Queluz, um duro golpe abalava (momentaneamente…) a televisão pública. Quase um ano depois, o que se passa é o seguinte: a TVI (com o grande Manuel Luís Goucha) continua a ser a estação menos vista nas manhãs da televisão e é Jorge Gabriel (o substituto na "Praça") e Fátima Lopes (com o "SIC 10 Horas") que disputam o primeiro lugar. Dá para perceber porquê?
NO DIA 25 DE ABRIL.
No dia em que o Mundo falava da detenção de Tarek Aziz, ex-vice-primeiro-ministro do Iraque. No dia em que a Europa se rendia ao genial FC Porto, que horas antes alcançava a final da Taça UEFA. No dia em que o advogado de ‘Bibi’ corria todas as televisões e jornais. No dia em que o Caso Moderna também regressava à primeira linha da actualidade. No dia em que o Governo aceitava recompensar as autarquias pela quebra de receitas da sisa. No dia em que Joaquin Cortés actuava no Pavilhão Atlântico. No dia em que o Bartoon (de Luís Afonso) festejava dez anos de vida. Imagine-se que, neste mesmo dia, o intelectual Eduardo Prado Coelho – que há uns anos se deitou “Na Cama Com Alexandra Lencastre” sim, é verdade, a SIC mostrou essas imagens…) – não tinha melhor assunto para a sua coluna de opinião (no jornal "Público") do que, vejam bem, atirar-se à revista "TV Guia" e arrasar, de uma maneira geral, com todas as revistas de televisão. Mas em especial com a "TV Guia". Tudo por culpa, ao que parece, do título de capa da sua (nossa) mais recente edição: "Sofia Alves cega!" Pus-me para aqui a pensar e, meu Deus, agora percebo o erro. Quem estava cega era a Lencastre…
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