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Correio da Manhã

Opinião
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1 de Maio de 2005 às 00:00
O Dia do Trabalhador continua a assinalar a instituição das oito horas de trabalho diário, conquistadas pelos operários dos Estados Unidos em 1886, mas as bandeiras vermelhas com foice e martelo já estão condenadas.
A vinda de imigrantes de territórios da extinta União Soviética, como a Ucrânia e a Moldávia, revelou como a vida dos trabalhadores é por lá muito mais difícil. E quando se fala de Cuba percebe-se logo o que é a miséria.
Fidel Castro aumentou, no dia 22 de Abril, o ordenado mínimo de 100 para 225 pesos, ou seja, 7,6 euros. O ordenado médio mensal na ilha rondará, a partir deste 1 de Maio, os 312 pesos (10,7 euros). Para o mundo internacionalista, o arrepio é enorme. Apenas dá para perceber por que há tantos turistas enfeitiçados pela ilha. Com uns modestos 750 euros sentem-se como se recebessem em Portugal 28 mil euros por mês. Uns capitalistas nababos.
Se a isto acrescentarmos que as centrais sindicais portuguesas reclamam hoje mais e melhor emprego, mas a empregabilidade dos operários têxteis está ameaçada pela invasão de produtos chineses, compreende-se que o problema não é a globalização mas a desigualdade. E que a vida melhor para cada um está ligada à melhoria de vida dos outros. A União Europeia, que há um ano alargou para 25 países, conhece o êxito do caminho dos fundos de convergência. Um mundo tão desigual só pode melhorar tornando-se mais igual.
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