Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
5
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Francisco Moita Flores

O Nobel

O nosso PC continua igual. Por mais voltas que o mundo dê, haverá sempre uma ditadura sua irmã

Francisco Moita Flores 17 de Outubro de 2010 às 00:30

Antes da queda do Muro de Berlim, a República Popular da China era para os dirigentes comunistas portugueses um desvio, governada por um partido comunista abastardado pelo maoísmo que nem sequer figurava entre os ‘partidos irmãos’ que, do outro lado do Muro, repartiam alegre confraria com o PC português nos grandes acontecimentos nacionais. Com notório relevo para o PCUS, o grande timoneiro soviético e do internacionalismo proletário. Na luta política interna, o maoísmo dos partidos da extrema-esquerda era zurzido como a doença infantil do comunismo, como se fosse praga ou alergia. Em contrapartida, para o movimento maoísta, o PC não era melhor nem pior do que um partido fascista. Era social-fascista.

Bom, esta história é recente mas está limpinha. O PC chinês, após a derrocada dos ‘partidos irmãos’, ganhou estatuto de confrade depois do que resta das velhas ditaduras exercidas em nome da classe operária. Tornou-se num ente querido, amado, de tal forma que a entrega do Nobel da Paz a um prisioneiro político chinês mereceu comunicado de repúdio do PCP. Com laivos de irritação, pois os decisores do Nobel estavam a intrometer-se na política interna de um país soberano. Nada de novo. O nosso PC continua tão igual a si próprio que, por mais voltas que o mundo dê, haverá sempre uma ditadura que é sua irmã.

2. O senhor Secretário de Estado José Junqueiro resolveu armar-se do seu varapau político e vá de responder à minha crónica da semana passada. Atirou-me com as contas de Santarém à cara. Tendo estima pessoal pelo cidadão, não vou responder ao político como merecia. Mas mesmo assim, devo dizer a esta criatura (de Deus), em minha defesa, que a falência da Câmara de Santarém foi declarada há sete ou oito anos pelo meu antecessor, que a herdara de um seu correligionário, e que agora é colega de governo do Dr. Junqueiro.

Ao longo destes cinco anos, o que se tem vindo a fazer é tirá-la da falência, fazer o milagre de renovar, de investir e de estar dentro dos limites legais de endividamento. Ao mesmo tempo, tornando-a vistosa, bonita e jovem, bem longe dos vaticínios da propalada falência. E estaria menos endividada se o Estado pagasse o que deve. E como as contas se fazem no fim, veremos como estarão no final do mandato. Apesar dos brutais cortes que têm sido impostos, estará seguramente muito melhor do que o governo do senhor Secretário de Estado está a deixar o país.

Ver comentários