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Opinião
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Francisco J. Gonçalves

O Nobel só atrapalha

O chinês Mo Yan recebeu na segunda-feira o Nobel da Literatura. O facto foi saudado pelo regime chinês e condenado pelos opositores ao dito, na China e pelo mundo fora. Chocou a estes, por exemplo, que Yan não tenha feito qualquer referência ao compatriota Liu Xiaobo, que em 2010 foi distinguido com outro Nobel, o da Paz, mas que continua nas masmorras chinesas por ser uma figura incómoda.

Francisco J. Gonçalves 12 de Dezembro de 2012 às 01:00

Yan é escritor e, segundo diz quem o leu, é bom no que faz. Sendo o seu ofício a narrativa ficcional, pode censurar-se-lhe não fazer política? Quem tenha uma visão ‘engajada’ do artista dirá que sim. Convenhamos, no entanto, que a literatura não tem de ser activismo e que os bons escritores são com frequência seres humanos pouco nobres.

Penso, por isso, que se alguém merece críticas é o Comité Nobel, por distinguir um chinês caro ao regime numa altura em que, como se sabe, a Europa precisa mais do que nunca de uma mãozinha da China (e de outros países com regimes pouco ‘morais’).

A literatura não tem de fazer política e pela mesma razão o Nobel da Literatura deveria ser alheio a politiquices. Mas não é, o que só demonstra uma coisa: os prémios na arte atrasam mais do que adiantam.

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