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Correio da Manhã

Opinião
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29 de Maio de 2013 às 01:00

Atingiu o objetivo ao abrir a crise política com o seu discurso de posse. A direita portuguesa optou por nos colocar ao lado da Grécia e da Irlanda em vez de acompanharmos a Itália e a Espanha na gestão da crise como teria sido natural e desejável.

Se Paris vale bem uma missa, o regresso da direita ao poder valia bem o resgate financeiro e a limitação de soberania.

Esta semana Passos Coelho chegou finalmente à capa da mais prestigiada revista económica mundial e Portugal foi estrela sombria no maior jornal americano. Um verdadeiro sucesso para o nosso provincianismo mediático.

Passos, Barroso, Merkel, Hollande e outros líderes europeus são cartaz de filme de terror caminhando para o precipício com o cognome de ‘Os Sonâmbulos’. Os títulos referem o eurodesastre iminente, destacam a inação permanente e falam de uma versão sem sexo do bestseller ‘As cinquenta sombras de Grey’. Uma capa de luxo para Passos Coelho guardar para mostrar aos netos quando não quiserem comer a sopa…

Para completar a glória, esta semana no blogue do ‘New York Times’ o Nobel da economia Paul Krugman dedica dois artigos a Portugal. Num deles fala com nostalgia encantada da sua experiência pessoal como jovem académico no Portugal pós-revolucionário e do sucesso que foi a nossa transição para uma democracia à europeia. Daí a raiva incontida do artigo sobre a atualidade intitulado "Pesadelo em Portugal". Segundo Krugman, é inaceitável o que a Europa está a fazer a Portugal e é claro na responsabilização da obsessão pela austeridade, pelo que se está a passar destruindo o modelo social europeu.

A conclusão é obvia, o importante é mudar as políticas que criaram este pesadelo.

O Presidente do Eurogrupo esteve em Portugal ansiando por uma história de sucesso na tragédia europeia. Quando até a Holanda e a Finlândia estão em recessão, chegou a hora, em Lisboa e em Bruxelas, de dizer que a solução não é comprar tempo para errar, mas sim mudar de estratégia para acordar antes do mergulho no abismo.

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