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Correio da Manhã

Opinião
1 de Outubro de 2012 às 01:00

Com todo o respeito, estas afirmações são um erro. Primeiro, porque demonstram ressabiamento; depois, porque atacar empresários é confundir adversários com aliados; finalmente, porque viram a discussão sobre o passado em vez de a focarem no futuro. O pior, porém, é que este não foi um caso isolado. Já antes alguns governantes tinham dito algo de semelhante, ainda que em linguagem menos desabrida. O que prova que há alguma desorientação ao nível do Governo. Isso, sim, é preocupante. Porque tudo isto sucede justamente no momento em que o País mais precisa de serenidade e segurança.

2 - O Governo está a ultimar o orçamento para 2013. Antes que seja tarde, aqui deixo algumas recomendações. Primeiro, não há orçamento credível sem reduções profundas na despesa pública e sem cortes exemplares e visíveis na máquina do Estado – e aqui ainda há muito a fazer, desde a extinção de empresas públicas até à rescisão de contratos. Segundo, não há orçamento credível sem medidas a sério em relação às PPP – neste item, ou as medidas são visíveis e claras ou ninguém acredita nelas; terceiro, não há orçamento credível sem a coragem de criar uma taxa de solidariedade sobre grandes empresas e empresas com rendas do Estado – não podem ser só os cidadãos a suportar taxas e sobretaxas; finalmente, não há orçamento credível sem uma apresentação de forma diferente do habitual – explicando aos portugueses, em português e não em economês, donde partimos, onde estamos, para onde vamos, com que medidas e com que calendário. Afinal, ter um orçamento credível é mais, muito mais, do que pensar apenas em mais impostos. Ou estes são o fim da linha ou há revolta popular. Convinha alguém no Governo pensar nisto. Acredito que não será tempo perdido.

3 - Mais um fim-de-semana, mais uma manifestação. Daí não vem mal ao mundo. Pena é que, com tanta manifestação, não haja ninguém que nos explique como é que sobrevivemos sem o dinheiro da troika, num tempo em que mais ninguém nos empresta um euro. Afinal, essa é que é a questão. Criticar é fácil. Gerar alternativa é que é difícil. E sem alternativa vamos à falência.

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