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Correio da Manhã

Opinião
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5 de Novembro de 2006 às 00:00
A 9 e 10 de Agosto de 2006 foram evitados vários atentados contra aviões que deveriam voar do Reino Unido para os EUA a partir do dia seguinte. Vinte e quatro jovens, com idades compreendidas entre os 17 e os 35 anos, de nacionalidade britânica e com ascendência paquistanesa (na maioria dos casos), foram detidos na Inglaterra e no Paquistão.
Dez vieram a ser acusados da preparação dos atentados. Sete, segundo se apurou, tinham assumido um compromisso de suicídio. Os crimes deveriam ser executados mediante a combinação de substâncias líquidas, inofensivas por si mesmas, mas susceptíveis de provocar uma explosão quando misturadas.
Suspeito que os mais cépticos se interrogam sobre a veracidade destas notícias. Alguns levam a desconfiança ao ponto de porem em causa a autoria dos atentados ‘bem sucedidos’, elaborando as mais mirabolantes teorias da conspiração. Mas não creio, infelizmente, que tenham razão.
A 11 de Agosto, em Londres, estiveram presentes todos os elementos que formam o padrão da al-Qaeda: a data e a sua simbologia; a simplicidade alucinada de processos; a convergência apocalíptica dos aviões para o mesmo destino, com um óbvio significado religioso; a implicação de fundamentalistas já nascidos no Ocidente, que resistem à ‘aculturação’.
A consequência mais visível destes atentados foi o reforço da segurança aeroportuária. Cúmulo da ironia: qualquer passageiro que passe por Heathrow tem de proceder como se estivesse a entrar numa mesquita, descalçando os sapatos. Estas limitações à liberdade individual, que os terroristas (e não as autoridades dos Estados democráticos) nos impõem, vão ser generalizadas à União Europeia e ainda à Noruega, à Islândia e à Suíça. A partir de amanhã, os líquidos transportados pelos passageiros deverão ser guardados em sacos transparentes e não exceder 100 ml.
Exceptuam-se apenas alimentos de bebé e remédios ou produtos dietéticos prescritos por médico.
O 11 de Agosto mostrou de novo que a arma de destruição massiva preferida pelos terroristas é a vida humana. Os mártires são a sua arma mais devastadora. Se ‘martírio’ quer dizer ‘testemunho’ (da fé), de acordo com o étimo grego, aqui o seu significado foi subvertido e passou a ser ‘ódio’.
Mas também é o elemento humano que garante o êxito da luta antiterrorista. Em Agosto, só a acção de agentes infiltrados terá feito fracassar os atentados. Por isso, a nossa Polícia Judiciária pode desenvolver acções encobertas para prevenir crimes graves e vai entrar em vigor uma lei que permitirá igualmente aos serviços de informações recorrer a este método, no âmbito das suas competências.
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