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Correio da Manhã

Opinião
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10 de Março de 2005 às 00:00
Mas isto em nada aligeira a gravidade dos abusos sexuais que, não há como negá-lo, durante décadas foram prática corrente numa instituição tutelada pelo Estado – um responsável a quem já só resta a obrigação de tudo fazer para que seja descoberta a verdade.
Quis José Sócrates que fosse agora Vieira da Silva, amigo pessoal de Ferro Rodrigues e fiel porta-voz do ex-secretário-geral do PS, a ficar com esta responsabilidade. Sendo o cargo de provedor da Casa Pia de nomeação política, o apoio público à continuidade de Catalina Pestana, ou a sua substituição, impõe-se na agenda do novo ministro. No CM, Daniel Sampaio – que até o irmão Presidente afrontou na defesa do PS – quebrou um prolongado silêncio e defendeu que “é um erro político afastar a dra. Catalina”.
Ontem, ela própria confirmou os abusos à juíza Ana Peres e no final expressou o desejo de cumprir o mandato até ao fim. Era o máximo que podia fazer pelas crianças em quem acredita, sem ser acusada de estar agarrada ao poder. A verdade é que ninguém que jure servir Portugal – como Vieira da Silva fará sábado – pode negligenciar o papel fundamental que Catalina Pestana tem desempenhado na protecção das vítimas. E, em Dezembro, o julgamento ainda estará, por certo, longe do desfecho.
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