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Correio da Manhã

Opinião
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Francisco J. Gonçalves

O pesadelo de Atatürk

A Turquia é um país que a Europa cobiçou e que hoje rejeita.

Francisco J. Gonçalves 5 de Junho de 2013 às 01:00

Os vencedores da Primeira Guerra Mundial quiseram dividi-lo e partilhar os despojos. Atatürk venceu a guerra pela nação turca e minou os intentos dos aliados. A Turquia de Atatürk era um país pró--ocidental e laico e era também, na prática, uma ditadura. Hoje, o país vive ainda entre democracia e ditadura, mas com uma diferença: o governo pende agora para a Ásia e para o conservadorismo islâmico.

O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan cortejou a UE, mas esta rejeitou-o por temer a matriz religiosa do seu partido. Com razão. É essa mesma matriz que milhares de turcos contestam há vários dias em Istambul, Ancara e numa dezena de outras cidades. Hábil em provocações, Erdogan quer mudar o rosto da Praça Taksim e do parque adjacente. Não é por acaso. Taksim situa-se numa das áreas mais cosmopolitas de Istambul e no centro da praça ergue-se um monumento à República. Construir aí uma mesquita e centro islâmico, como planeia Erdogan, é mais do que provocação. É uma declaração de princípios com uma mensagem clara: a república laica, aberta e progressista tem os dias contados.

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