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Correio da Manhã

Opinião
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6 de Julho de 2009 às 09:00

Vamos ser só um bocadinho sérios. Só um bocadinho, porque os tempos que correm não estão para isso e até são altamente penalizadores para quem imagina que a seriedade é um valor que compensa. Não compensa. Antes pelo contrário. A rapaziada que anda por aí a enganar o próximo, a encher os bolsos a torto e a direito, a usar os dinheiros públicos para negócios privados, e que mente com todos os dentes que tem na boca, tem sucesso garantido e a compreensão dos que emitem imensa opinião em rádios, televisões e jornais. Mas vamos tentar ser um bocadinho sérios, apesar de a seriedade ser um bem fora de moda.

O senhor ministro da Economia do Governo do senhor presidente do Conselho não devia ter sido despedido por ter feito um par de cornos ao senhor deputado comunista Bernardino Soares. Não. Se isto fosse um sítio a sério com gente séria, o senhor Manuel Pinho há muito que não era ministro, e muito menos ministro da Economia. Bem pode o senhor presidente do Conselho andar por aí a dizer que política é cruel, com umas lagriminhas ao canto do olho, a gabar a excelsa obra do seu ex-ministro em vários domínios.

A factura dos negócios promovidos, forçados, propagandeados e anunciados ao longo destes anos pelo senhor Manuel Pinho, com mais ou menos PIN pelo caminho, com salvações de empresas que afinal acabaram por fechar, há-de chegar, mais cedo do que se imagina, aos bolsos dos indígenas deste sítio pobre, deprimido, manhoso, cheio de larápios e obviamente cada vez mais mal frequentado. E, no fim das contas, o senhor Manuel Pinho do fim da crise e da mão-de--obra barata só foi despedido em directo pelo senhor presidente do Conselho para defender a imagem do seu Governo. Sempre a imagem. Foi assim no negócio da PT com a TVI, foi assim no despedimento de Manuel Pinho, é assim a toda a hora, em qualquer lugar.

A imagem, a propaganda e a mentira estão acima de tudo e nada fará recuar o senhor presidente do Conselho na defesa destes valores que regem a acção não só do PS como do seu Governo que ainda tem mais três meses de vida, com ministros fartos, cansados, desorientados, nervosos e desesperados. A cena no Parlamento até acabou por ser divertida e aliviou os estados de alma dos indígenas, que estão cada vez mais angustiados com a sua vidinha. Mas a verdade é que se as mentiras valessem tanto como um par de cornos já não havia ministros. E muito menos presidente do Conselho.

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