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Correio da Manhã

Opinião
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Octávio Ribeiro

O político novo

Nos cargos de macrodecisão da administração pública, um país deve ter os melhores. Para isso os políticos deveriam ser muito bem pagos. No Governo, nas autarquias, no Parlamento.

Octávio Ribeiro(octavioribeiro@cmjornal.pt) 28 de Novembro de 2006 às 00:00
A tendência a que se assiste é exactamente a contrária. Os políticos portugueses nunca foram devidamente remunerados e o último ano mutilou-lhes alguns dos incentivos objectivos que ainda havia para se seguir o serviço da causa pública após sujeição ao sufrágio dos cidadãos.
O fim do estatuto especial de reforma e o estrangulamento da acumulação de salários de cargos de eleição com pensões de qualquer género levam à pergunta: o que ainda faz correr estes homens?
Se a vocação de um político não é necessariamente franciscana, o mistério adensa--se.
Se o que faz correr os políticos é a miríade de proventos obtíveis no regresso ao sector privado, chegamos a um nó górdio da perversão do interesse colectivo. Atingimos uma das causas estruturais da má gestão da coisa pública.
Que um administrador não executivo do Metro do Porto (com reuniões quinzenais) ganhe 4500 euros parece exagerado.
Mas o que pretende o sistema de um presidente de câmara que vence três mil euros de salário? Ou de um ministro que decide milhares de destinos e centenas de milhões em investimentos e ganha menos de um quinto de um qualquer gestor de topo?
Uma utopia.
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