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Correio da Manhã

Opinião
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9 de Março de 2004 às 01:28
E conseguiu mesmo, em duas eleições legislativas seguidas, arrebatar mais de metade dos votos expressos. No entanto, quando chega a altura do balanço, escreve apenas o que se passou com ele e sobre os pensamentos que o atravessaram.
A política é assunto de massas. Trata das vontades e ambições colectivizadas. Revolve as sociedades e mobiliza facções para avançar para o futuro. Cavaco Silva, militante social-democrata mobilizado por Sá Carneiro, personaliza tudo. Fixa a oposição política em Mário Soares e remete para segundo plano as gestões partidárias. Trata como minudências o concertar de interesses conflituosos e as ondas provocadas por todo o género de ambições. Aposta no estilo e no exemplo em vez de na ideia e na explicação.
Cavaco afirma estar feliz por ter protagonizado a primeira década de Portugal na Comunidade Europeia e ser testemunha privilegiada de grandes mudanças no Mundo. Distancia-se da política, o que é também uma forma de fazer política. E vinca a marca de um solitário que veste à perfeição com um cargo de representação unipessoal como a Presidência da República. Resta saber se o tabu desemboca em Belém.
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