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Correio da Manhã

Opinião
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21 de Janeiro de 2003 às 00:00
No Restelo impôs-se a velha guarda: o capitão Jorge Costa (!!!) bisou e virou completamente do avesso um encontro que não estava a correr bem nem aos ‘dragões’ nem ao árbitro; e Vítor Baía, outro histórico da casa, evitou o empate com uma grande defesa a pontapé de Eduardo Marques. Depois, Deco, que andava meio sumido, fabricou o terceiro golo com uma jogada genial. Ah!? o Porto passou em Alvalade e no Restelo sem precisar dos quatro (talvez cinco) ‘penalties’ não assinalados a seu favor, o que diz tudo sobre a força mental da equipa.

Temos, portanto, um Porto cheio de atitude em passo acelerado para o título e um treinador - José Mourinho - com muitas e boas razões para alterar o discurso, ultimamente cheio de falsas modéstias. Homem, deixe-se disso: você está a fazer um belo trabalho, o Porto joga e passeia e não é preciso andar a inventar candidatos virtuais e adversários fortíssimos que toda a gente vê que não existem! Mourinho vai em dez vitórias consecutivas, que é um registo muito interessante mesmo num campeonato tão fraquinho como o nosso, mas disso não tem ele culpa alguma - a culpa é dos outros. Do Benfica e do Sporting, sobretudo.

Por falar nisso, do Benfica das estrelas. A Imprensa desportiva de domingo vendeu muito bem, obrigado, mas nem o 'golaço' de Nuno Gomes e uma segunda parte menos mazinha disfarçaram o que entra pelos olhos adentro: o Benfica joga muito pouco. Muito menos do que este Porto, muito menos que o Sporting do ano passado, bastante menos do que o Boavista de há dois anos. Aliás, entre o Marítimo e o Benfica a diferença foi precisamente a inspiração (que tem sido rara) de Nuno Gomes num disparo formidável. O resto? Por favor? Só num campeonato como este uma equipa que joga o que o Benfica joga pode ser candidata ao título - pronto, ao segundo lugar. Não me levem a mal os seis milhões de benfiquistas de Portugal, mas quem gosta realmente de futebol e tem dois olhos imparciais na cara não pode medir a força e a qualidade de uma equipa pela quantidade de manchetes motivantes e notícias de blá-blá-blá nas primeiras páginas. Se assim fosse, o Benfica era sempre campeão. Parece-me que entre o futebol que o Benfica 'pratica' em alguns jornais - e na boca de uns quantos comentaristas televisivos - e a realidade vai uma diferença do arco da velha.

Quanto ao resto, cabe tudo nesta tirada de Luís Campos: "Peço desculpa aos senhores telespectadores mas este jogo foi um nojo". O treinador sadino disse isto no final do Boavista-Setúbal e acresce que ele não estava só a queixar-se do costume (o árbitro) mas da qualidade miserável do joguinho propriamente dito. Parabéns ao Luís Campos.
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