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Correio da Manhã

Opinião
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27 de Maio de 2013 às 01:00

Se se pensava existir alguma segurança para que as poupanças portuguesas não imigrassem, percebemos o contrário.

Já tínhamos os cidadãos a sair do País, a juventude mais qualificada a partir, só faltava o dinheiro português à procura de um local mais sagrado para garantir o teto de 100.000 € ou outro melhor.

Já sabíamos das dificuldades de comunicação e explicação da política da Troika e da União Europeia. Agora também percebemos a importância da utilização do bom senso.

As poupanças dos cidadãos são a última coisa que eles têm para fazer face à crise, ao desemprego, ao aumento de impostos, à redução das pensões, à necessidade de apoiarem a sua família que sofre.

Quando se aceita a hipótese de elas contribuírem para a eventual salvação da banca, todos se interrogam a razão porque o temos de fazer, destruindo e espezinhando quem nela acreditou.

O sentimento que nos atravessa é o de uma profunda inversão dos Valores. Quem trabalhou, poupou, evitou consumos supérfluos e quis garantir o seu futuro pode ser punido por quem malbaratou, se enganou ou gastou demais.

E já que somos transportados à religião e à moral, precisamos de perceber a razão porque o bom comportamento é punido, e o mau é salvo.

Nem a parábola do filho pródigo permite ou incentiva àquela inversão.

O profano anulou o sagrado, e, por isso, quando alguém a este se refere, não pode esquecer que "a César é apenas o que é de César". Todos percebemos que o sagrado para o Ministro Gaspar é um conceito restrito. E, de facto, não deveria ser assim. É esse erro básico que não só contamina o discurso sobre os depósitos bancários, mas também boa parte da sua conceção sobre a realidade portuguesa e o sentido da vida. Dá-me vontade de dizer "que o sagrado os acompanhe, pois dele muito precisam".

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