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Correio da Manhã

Opinião
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16 de Julho de 2011 às 00:30

De facto, desde a disputa axial entre António Guterres e Jorge Sampaio, em pleno cavaquismo governamental – há vinte anos! –, que se não assiste a uma eleição tão aberta dentro do PS. A sucessão de Guterres, em 2002, processou-se num clima de combinação dentro da oligarquia que despontara no Governo entre 1995 e 2001.

Essa sucessão palaciana de Guterres passou primeiro pela indicação de Jaime Gama, que acabou por a declinar, e fixou-se depois em Ferro Rodrigues, no contexto da derrota das legislativas de Março de 2002. E quando Ferro pediu a demissão de SG, no Verão de 2003, por discordar do PR sobre a solução governamental que se seguiu à ida de Barroso para Bruxelas, a intacta neo-cúpula partidária conjugou-se para apoiar José Sócrates, e fez dele uma espécie de candidato oficial do PS governamental. Alegre – que apoiei nessa candidatura – e João Soares deram rosto aos que se mantiveram fora dessa combinação. Éramos poucos. Foi no Outono de 2003. O PR dissolveu a AR dois meses depois. O PS voltou a ser governo entre 2005 e o mês passado. José Sócrates pediu a demissão de todos os cargos em Junho, depois da derrota nas legislativas. Ficou livre o caminho para estas eleições no PS, abertas como já se não via há vinte anos. Com esta adenda: os dois candidatos em liça apoiaram, em 1992, Guterres contra Sampaio.

Estas eleições entre Assis e Seguro caracterizam-se por se terem libertado do caldo de cultura das combinações anteriores. Elas podem constituir um bom impulso para o objectivo que Mário Soares apresenta como necessário – e eu com ele – de "refundar o PS".

Tudo indica que será António José Seguro o vencedor destas ‘directas’, um mau método de escolha do que deve ser um ‘primeiro--secretário’ da equipa dirigente do PS. A verificar-se, a sua vitória não será obra do acaso. Foi sempre um crítico tranquilo do consulado de José Sócrates. Já Assis apresenta-se como alguém que pretende "a mudança na continuidade". A sua ideia das primárias é boa, tendo em conta a actual ‘falta de vocações’ na actividade política.

O debate prossegue.

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