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Correio da Manhã

Opinião
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17 de Janeiro de 2009 às 09:00

Está em marcha o projecto de substituição de Manuela Ferreira Leite à frente do PSD. Várias personalidades de topo do partido de Sá Carneiro têm-se reunido com bastante frequência para analisar a situação difícil em que o PSD se encontra e os efeitos negativos que daí resultarão caso este partido tenha nas próximas eleições um resultado catastrófico. É consensual no seio do grupo que se pôs em movimento, há cerca de um mês, a ideia de que Manuela Ferreira Leite não pode nem consegue protagonizar uma candidatura vitoriosa.

Essa leitura negativa ganhou cores mais negras após a entrevista de Manuela Ferreira Leite a Judite de Sousa. A insegurança da líder dos social-democratas, a dificuldade em dar respostas claras e convincentes sobre áreas fundamentais da vida nacional, o pouco à-vontade evidenciado em sucessivas prestações no meio televisivo, as incongruências do discurso e o ziguezague do seu trajecto foram, em síntese, as conclusões a que chegaram os barões desse grupo. As sondagens deste fim-de- -semana que dão ao PSD valores mínimos históricos nas próximas eleições começam a provocar uma erosão que o aparelho do PSD tem dificuldade em assimilar, sobretudo porque a convicção existente é a de que o partido está a sofrer danos irreparáveis à esquerda, para o PS, e à direita, para o CDS. O nome mais consensual que está na forja para substituir Manuela Ferreira Leite é o de Pedro Passos Coelho. Não só pelo trabalho que tem vindo a realizar de forma organizada e sistemática, em todos os núcleos do PSD, de norte a sul, mas também porque sentem que a sua imagem goza de prestígio crescente entre os social-democratas. Ideias claras, projectos definidos, objectivos bem determinados. Pedro Passos Coelho é também encarado como a renovação geracional de que o PSD precisa para disputar com Sócrates a vitória em eleições legislativas. Tem uma experiência apreciável no contacto com a televisão, a sua imagem inspira confiança e é tido como um economista ‘sénior’ (concluiu o curso com média de 17 valores) capaz de discutir todos os grandes dossiers da economia.

Pedro Passos Coelho é tido como um liberal que não perdeu os princípios social- -democratas. Manuela Ferreira Leite parece, assim, estar a queimar os últimos cartuchos e, se houver engenho e arte dos barões do PSD, será Pedro Passos Coelho o senhor que se segue. Março deve ser a hora da mudança. Esse calendário permitiria ainda uma recuperação do PSD de molde a travar a sangria que aparece na linha do horizonte.

 

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