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Correio da Manhã

Opinião
26 de Maio de 2012 às 01:00

As instituições comunitárias foram postergadas, a UE dos 27 foi desclassificada, mas a arrogância do casal político só podia trazer maus resultados. Os povos europeus jamais esquecerão a prepotência e a ingerência do império dual no ultimatum ao primeiro-ministro grego Papandreou que prendia clarificar a situação recorrendo a um referendo. Essa atitude trouxe a Grécia ao ponto político em que agora está.

Um império só exerce a sua hegemonia caso preste serviços úteis aos diferentes povos. Foi o que aconteceu no tempo de Bismarck, reconhecido internacionalmente como ‘um honesto mediador’. Seja como for, Sarkozy já perdeu o poder e a chancelerina perde sucessivas eleições nos Estados federados da Alemanha.

Como testamento incompleto deixam um esboço de tratado orçamental, feito em cima do joelho das presidenciais francesas, repetindo metas e calendários numa metodologia delirante e vertiginosa. Nada que se assemelhe a um passo no caminho de um federalismo descentralizador e coordenador. Fora as penalizações previstas é uma mera repetição do Pacto de Estabilidade. O PS agiu pois muito bem ao propor um Acto Adicional a esse tratado falhado que até aqui só Portugal ratificou…

Acresce que a vitória de François Hollande veio potenciar a emergência de vários gérmenes de mudança presentes na cena europeia: temperar a austeridade com medidas para o crescimento; equilibrar melhor o plano intergovernamental com a acção enfraquecida dos órgãos comunitários; travar o império dual em formação; avançar com medidas financeiras para o investimento, desde os adormecidos fundos estruturais a uma nova dinâmica para o BCE e para o BEI; reforçar os recursos deste; mutualizar, para o futuro, os títulos das dívidas contraídas para financiar projectos europeus. Essas foram as boas notícias que alguns países europeus levaram ao G8 e mereceram o aplauso de Obama.

Até aqui, a máquina de propaganda dogmática isolava os países divergentes – do Reino Unido à Irlanda, da Dinamarca à própria França. Esse tempo terminou. A política colegial europeia não permite a hegemonia de impérios impreparados.

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