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Correio da Manhã

Opinião
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21 de Julho de 2004 às 00:00
A composição do Governo entusiasmou, como sempre, analistas e políticos. O xadrez do poder mobiliza necessariamente os seus jogadores e respectivos aprendizes. O contrário é que seria de espantar. E o mesmo se passa agora com as nomeações para secretários de Estado: os nomes, as pastas e o poder.
Tudo isto é importante: não há escolhas inocentes e todas elas terão causa e objectivo.
Mas sendo os nomes importantes, não é, nesta fase, o que mais importa. Ao comum dos portugueses, os nomes de quem efectivamente governa só começam a interessar em função do andamento da governação – para responsabilizar ou para elogiar.
Arredados da política palaciana, a maioria dos eleitores está interessada, isso sim, em perceber como é que os problemas gerais do País (que são os problemas concretos dos portugueses e das suas famílias) vão ser encarados e atendidos.
Nas políticas sociais (não confundir com assistencialismo de ocasião) o Estado ainda tem instrumentos, até fiscais, para beneficiar os mais pobres – vai utilizá-los? A promoção do emprego será estimulada em concertação com os parceiros sociais? Conseguir-se-á a mobilização de agentes económicos para áreas chave no futuro da economia portuguesa? Na Educação, vai persistir a inspiração estatizante que condena dezenas de escolas privadas com contratos de associação a um fecho anunciado, limitando severamente a liberdade educativa? A evasão fiscal será assumida como prioridade nacional, consagrando-lhe os indispensáveis meios técnicos e legislativos? A corrupção, tão sofisticada quanto banalizada, é uma batalha perdida, para arrumar na gaveta? A reforma da justiça que tanto condiciona o País avança decididamente ou fica refém de novas telenovelas judiciárias? E o Estado conseguirá ser mais rigoroso consigo mesmo, reformando-se e diminuindo até a despesa corrente?
Qualquer questão que condicione a vida de todos nós importa seguramente mais do que os nomes e os títulos de quem governa. É pelas decisões que tomar e por aquelas que não levar para a frente que o novo Governo e o novo primeiro-ministro serão avaliados.
Se, como muitos temem, o populismo e os cálculos eleitorais prevalecerem, não perde apenas o Governo – com ele, perde também o País.
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