Maria João Mira é a autora da telenovela que a TVI estreia amanhã –‘Ilha dos Amores’ – com a difícil missão de prolongar os bons resultados que irá herdar de ‘Tempo de Viver’.
Não é líquido, porém, que tal venha a acontecer. Por duas razões. 1.ª: porque a novela mais forte da SIC (‘Páginas da Vida’) tem agora a possibilidade de ‘explodir’, ao deixar de lutar contra um produto consolidado e que anda nas ‘últimas emoções’ há quase dois meses. 2.ª: porque Maria João Mira, que assina aqui o seu quarto trabalho, ainda não provou ser uma autora de excepção, capaz de criar e desenvolver histórias ‘ágeis’ e com picos de interesse concentrado (como faz Rui Vilhena e, até, Tozé Martinho).
‘Ilha dos Amores’ é um produto definido e encomendado por José Eduardo Moniz e desta aposta depende, em grande parte, a saúde imediata da TVI. A partir de amanhã e até sábado (dia em que deve terminar ‘Tempo de Viver’) o horário nobre da estação vai estar carregadíssimo: ‘A Bela e o Mestre’, ‘Doce Fugitiva’, ‘Ilha dos Amores’, ‘Tempo de Viver’ e ‘Tu e Eu’.
Um reality show e quatro telenovelas. Uma semana depois, com o final de ‘Tempo de Viver’ – que assume hoje o papel de motor do prime time – se verá então o que vale realmente este novo produto da ficção nacional e como irá Moniz aguentar a mais do que provável subida de ‘Páginas da Vida’. Em entrevistas recentes, Maria João Mira explicou o segredo das novelas actuais: devem ter dimensão aspiracional, fazer sonhar e ainda, ao mesmo tempo, espelhar a realidade.
Esta combinação, bem sucedida, é a base da maioria das novelas de sucesso. Mas não foi o que esta autora fez, até agora, com os três projectos que já criou para a TVI: ‘Sonhos Traídos’ (2002) foi um fracasso e não deixou qualquer registo para memória futura; ‘Saber Amar’ (2003) teve um êxito relativo, mas nunca competiu no horário mais disputado; e ‘Fala-me de Amor’ (2006) foi uma espécie de novela da meia-noite. Com um orçamento extraordinário, ‘Ilha dos Amores’ vai ter um elenco onde se destacam à cabeça nomes como Sofia Alves e Pedro Lima.
Depois também lá estão uma dezena de ‘Moranguitos’, o que não augura nada de bom. A história centra-se num casal que vive uma paixão proibida e nela há o que há em todas as novelas: amor, ódio e morte. É com estes inevitáveis ingredientes (sempre os mesmos, não há volta a dar) que umas funcionam muito bem e outras funcionam muito mal.
A diferença está sempre na cabeça do autor (sensibilidade, conhecimento, genialidade) e no desempenho dos actores. E neste elenco há, logo à partida, um défice de talento. Será a primeira novela gravada com tecnologia de alta definição e Moniz já diz que é a melhor jamais produzida pela TVI. Será mesmo?
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Por Carlos Rodrigues
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