Barra Cofina

Correio da Manhã

Opinião
4
27 de Setembro de 2004 às 00:00
Para Sócrates a conjuntura não poderia ser melhor. O ano que medeia até ao arranque do primeiro grande teste eleitoral, nas autárquicas, será tempo suficiente para o novo líder socialista negociar, decidir e organizar; e escasso para que a sua imagem cuidada e discurso elaborado sofram a natural erosão da exposição política.
Salvo algum grave incidente de percurso, é previsível que José Sócrates chegue ao ciclo eleitoral, que se inicia no final de 2005, com o elã dos vencedores.
A vitória ora alcançada domestica a oposição interna e coloca o moderado perfume da rosa muito acima do monolítico punho cerrado.
Também pelo que se sente no outro lado da barricada, Sócrates não podia ter melhor momento para assumir o comando da oposição. Com todos os ministros do PP em fase de hiperactividade e Santana Lopes sem conseguir alinhar um discurso consequente em dossiês fundamentais, um político hábil como Sócrates poderá tomar a iniciativa política, abrir o PS à sociedade civil – só não se percebe como é que a dita sociedade ainda vai nisto...– e motivar Sampaio para um segundo mandato ainda mais actuante. Ao ponto de precipitar a queda do Governo? Sócrates não deverá ter pressa.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)