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Correio da Manhã

Opinião
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18 de Novembro de 2007 às 00:00
Apesar de ser tentador, reduzir Hugo Chávez a um monarca de opereta é ignorar o que ele representa, no seu país e na tradição latino-americana.
O presidente pára-quedista é a reunião de muitos ‘ismos’: populismo, justicialismo, irredentismo, etnicismo, nacionalismo e pretorianismo (perdão pelos neologismos). A sua ‘revolução’ vem em linha recta de histórias conhecidas, de Simão Bolívar a Péron, de Getúlio Vargas ao Castrismo.
O que poderia ser a sua V República sem os altos preços do petróleo? Qualquer coisa como Cuba, de certeza com muito mais pobres.
Mas Chávez, para além das alegadas fraudes constitucionais, das medidas musculadas, do tom geral de pantomina, é um chefe eleito, sem rival político à altura, na Venezuela de hoje. Pode ser triste, mas é assim.
O incidente com Juan Carlos (que nunca se deu bem com militares golpistas), a promessa de ‘olho vivo’ sobre as empresas espanholas, a bizarra exigência de desculpas e o recordar do passado imperial castelhano não são episódicos. Talham um caminho agressivo, que Madrid tem de entender, e ao qual precisa de reagir.
“Que sorte que vocês têm na CPLP, onde não há destas poucas-vergonhas”, dizia-me um diplomata vizinho. É verdade.
Depois da preterição do general Felix Sanz, para o comando do comité militar da OTAN, que mais irá acontecer a Espanha?
RENÚNCIAS DOLOROSAS
Falando à União de Cidadãos Judaicos de Nashville, no Tennessee, Condoleezza Rice foi bem clara: a grande prioridade da política externa de Washington, neste momento, é “um estado palestiniano viável e forte”, para travar os pretextos fundamentalistas.
Explicou aos circunstantes (alguns choravam) que teriam de fazer muitos sacrifícios decisivos, escolhas difíceis e renúncias dolorosas, mesmo em valores políticos que, até agora, consideravam fundamentais.
Vários lembraram-se do momento em que os americanos decidiram trocar a Formosa pela China, na ONU, mantendo, depois disso, boas relações com a primeira, mas debaixo da mesa, e razoáveis laços com a segunda, em público.
Alguns colocaram uma segunda hipótese: a de Israel poder refazer a sua vida, noutras condições, com superioridade moral, e em plena legalidade e legitimidade internacionais. Deixando de ser Golias e voltando a ser David.
A FORTALEZA
Gordon Brown anunciou o seu plano para uma ‘fortaleza britânica’, longamente reflectido mas acelerado depois do susto do último incêndio londrino. Haverá mais controlos, melhor segurança física, novas regras para espaços públicos, treino da população, mecanismos de detecção e uma campanha para ganhar ‘mentes e corações’, sobretudo entre os muçulmanos, que se sentem sempre apontados a dedo.
O líder conservador, David Cameron, que anda a fazer de Tony Blair na oposição, aprovou tudo, em nome da pátria, mas explicou que era preciso não pôr em causa os direitos do povo. Onde se vê que a ‘direita’ pode ser mais libertária do que a ‘esquerda’.
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