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Correio da Manhã

Opinião
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30 de Outubro de 2003 às 01:10
Ou tão pouco traficou.
Alegadamente, segundo um relatório do árbitro do Boavista-FC Porto, Paulo Paraty, tê-lo-á agredido. Grave, portanto. Muito grave. Haverá até quem não se esqueça de relembrar Abel Xavier, Nuno Gomes e companhia na meia-final com a França do Euro’2000 ou João Vieira Pinto no Mundial 2002. Sempre os mesmos acrescenterão os intelectuais antifutebol.
Mas Deco não empurrou Paraty. Nem sequer lhe deu um soco no estômago. Nem uma cotovelada, como aquela que ficou esquecida do madrileno Roberto Carlos ao juiz do Portugal-Brasil. Irado com uma decisão do árbitro – que não o expulsara (nem a Nuno Valente) por uma entrada violentíssima mas não tivera receio de lhe mostrar o segundo amarelo porque ele deu dois toques na bola sem uma chuteira calçada – Deco, já fora do relvado, atirou a bota na direcção de Paraty. E, com a boa pontaria dos seus livres que começa a recuperar, ter-lhe-á acertado. Numa perna. Imperdoável. Era o mesmo que Beckham perdoar a Fergusson por episódio semelhante num treino do Manchester.
Que Deco agiu mal é óbvio. Que o gesto do luso-brasileiro é grosseiro e de uma tremenda falta de ‘fair-play’ também não oferece dúvidas. Mas... de seis meses a quatro anos de suspensão? Além de rever a lei do segredo de Justiça e das escutas, parece urgente olhar para os regulamentos da Liga de clubes. Porque o ridículo mata. E o futebol português está há muito em longa agonia.
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