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Correio da Manhã

Opinião
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28 de Agosto de 2004 às 00:00
Assumiu contornos ridículos a actuação da Administração da RTP relativamente à compra efectuada pela Sport TV dos direitos do jogo da Supertaça Europeia entre o FC Porto e o Valência. Em primeiro lugar falhou na disputa pela compra dos direitos à ‘TEAM’, a empresa que comercializa os direitos das competições organizadas pela UEFA.
Depois emitiu um veemente comunicado opondo-se à transmissão do jogo pela Sport TV. Em terceiro lugar correu para o Gabinete de Morais Sarmento a pedir um despacho que inviabilizasse a transmissão em exclusivo pelo canal desportivo.
Este ‘romance’ deixa a RTP em maus lençóis e é a ponta do ‘iceberg’ de uma má ou danosa administração da empresa pública da televisão. Como em vezes anteriores o ministro Morais Sarmento apareceu a proteger ‘a sua administração’ definindo o jogo como de interesse público e obrigando a sua transmissão em sinal aberto.
A reposição forçada da RTP na grelha de partida mostra como correm as coisas. Importa dizer que estes calafrios da RTP se ficam inteiramente a dever a mais um erro (terá sido erro??) crasso cometido pela Administração quando decidiu alienar um dos seus activos mais marcantes – a quota na Sport TV. A RTP dispunha de uma posição muito confortável, pois detinha um terço das acções daquela empresa e mantinha um ‘gentlman’s agreement’ com os outros dois sócios que a colocava numa posição favorável face a um produto televisivo tão importante como é o futebol.
Se tivesse ficado definido a concentração dos jogos no canal desportivo, canal codificado, ainda haveria alguma razoabilidade na decisão. Não havendo essa garantia é obvio que a RTP não se devia retirar da Sport TV.
O resultado está à vista. A RTP vai deixar de transmitir jogos de futebol salvo uma ou outra excepção, e a TVI comprou à Sport TV todos os direitos da SuperLiga do futebol nacional e ainda os resumos de todos os jogos em regime de exclusividade. A RTP fica assim arredada dos jogos e até da produção de programas desportivos que se estruturavam nos resumos dos encontros da Primeira Divisão.
O rombo não pode ser maior. O futebol na RTP constituía uma das suas imagens de marca. Desapareceu tudo e agora é só fumaça. Nenhuma desculpa é aceitável. Quando a Sport TV caminha para uma situação de equilíbrio e está mais valorizada a RTP retira-se da sociedade, tendo-se mantido nela enquanto durou o caminho dos espinhos com vários anos de prejuízo.
Em contrapartida segurou sozinha a RTPN, canal de cabo também, assumindo os prejuízos todos de um canal que nunca se viabilizará a si próprio. O tempo tem-se encarregado de trazer à tona da água os disparates da Administração da RTP apesar do silêncio de todos aqueles que antes discutiram com ignorância e arrogância os caminhos da empresa pública e apoiavam sem mais as soluções adoptadas. Mas a procissão ainda vai no adro. Esperemos pelo resultado final.
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