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Correio da Manhã

Opinião
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1 de Julho de 2004 às 00:00
É que ainda sequer estou refeito da viagem de Alcochete para Alvalade, na cavalgada frenética dos primeiros minutos do jogo, do golo de Ronaldo que abriu o caminho para a grande festa, da monumental obra de arte de Maniche, que parecia acabar com tudo, do sofrimento que veio a seguir num lance infeliz de Jorge Andrade (que ele não merecia), ansiedade de ver o relógio andar mais depressa e da explosão quando o apito de Frisk silvou pela derradeira vez. Finalmente três pontos.
Não sou talvez capaz de vos dizer tudo o que me vai na alma e lamento se também não o consegui no trabalho a que fui chamado na minha rádio de sempre. Mas o meu povo entende-me, isso tenho a certeza. Porque o seu estado de alma não será certamente diferente do meu, isto é, estar a rebentar de emoções sem ser capaz de fazer mais do que puxar de uma bandeira e de um cachecol e ir por aí fora, sem destino, e também sem saber onde e como terminar a noite. A festa vai alta, mas aceitemos fazer uma pequena pausa para reflectir no grande salto que falta e que no próximo domingo nos pode trazer tudo ou nada. Nada, não porque se é certo que ainda não conquistamos tudo, e mesmo que nos fiquemos por aqui, já ninguém poderá apagar as letras da página mais brilhante até hoje escrita em todo o historial do futebol português.
A festa pode repetir-se e ampliar-se já daqui a poucos dias. Até lá gozemos este sonho maravilhoso que a nossa Selecção foi capaz de esta noite transportar para a nossa realidade.
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