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Correio da Manhã

Opinião
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23 de Maio de 2009 às 00:30

Dificilmente o PS cairá mais nas legislativas do que nas europeias. Entenda-se, este raciocínio em nada desabona a galhardia do gesto. Sou testemunha de que Manuel Alegre já tinha manifestado dúvidas em ser candidato a deputado na legislatura que se fina, e os motivos eram bem sérios. Não fora a candidatura presidencial lhe ter corrido de feição e ele estaria certamente arrependido de ter ficado na AR quando certos poderes exteriores ao PS impuseram uma série de medidas que nem a direita coligada no Governo PSD-CDS conseguira levar por diante, quer com Barroso, quer com Santana. Barroso viria a aplaudi-las mas como presidente da Comissão Europeia ainda entretida com o controlo cego e administrativo dos orçamentos de alguns Estados da UE, entre os quais o de Portugal.

Contrariamente às aparências, Manuel Alegre sabe avaliar bem e friamente as circunstâncias da sua acção. A sua decisão não podia vir em melhor momento para todos os agentes políticos afectados, desde o PS em vésperas de uma eleição em que pode baixar até ao Bloco de Esquerda, que só quer subir um pouco sem concorrência.

O DISCRETO JOÃO BÉNARD DA COSTA

Conheci-o nos anos sessenta. Um católico progressista, dos que eu gostava. Solidário mesmo quando não estava de acordo.

Deu os testemunhos mais difíceis a favor da paz e da democracia. Depois do 25 de Abril tornou--se discreto, como desejava, e viu muita gente passar-lhe à frente em fervor revolucionário e em arrefecimento posterior.

Refugiou-se no cinema, na escrita e na Arrábida. Podia ter sido tudo. Optou pela liberdade.

UMA HISTÓRIA DE ENCANTAR NO INFERNO FINANCEIRO

Uma instituição bancária portuguesa foi procurada por uma senhora, da qual não houve notícia de idade nem de nacionalidade, que pretendia aplicar 50 mil milhões de dólares, uma quantia fabulosa!

Ora, a senhora, perante a multiplicação de quesitos, acabou por não realizar a transferência para Portugal, o dinheiro ficou no JP Morgan Chase, nos EUA, e a dama estará a contas com uma vaga suspeita de fraude averiguada quer pelo DCIAP, quer pela Polícia Judiciária.

Se isto é assim para a importação de fundos, imagine-se as dificuldades que não haverá para transferir dinheiro de cá de dentro para os chamados 'paraísos fiscais'! Inventámos algo que se desconhecia na maior parte dos países: o inferno financeiro. Mas como se só se ouve falar de ‘off-shores’?! Haverá em Portugal maior atenção à entrada do que à saída de dinheiros?

E que tal instituir um prémio internacional de fair-play para coisas como esta?

COMPRAS POR CATÁLOGO

Não está fácil substituir as velhas Chaimites na memória dos portugueses. Às viaturas Pandur fabricadas na Áustria falta o glamour de um simples exercício militar.

Terão sido compradas ainda na fase infantil do protótipo no tempo de Paulo Portas como ministro da Defesa, e 19 delas jazem inertes numa espécie de parque de automóveis há dois anos. Ninguém quer ouvir Paulo Portas na AR?

ELECTRICIDADE SEM SOVIETES

Um sound-byte de Lenine afirmava que a sociedade comunista seria a electricidade mais os sovietes.

Pois bem, muitas estações ocidentais consideraram o Eurofestival da Canção, realizado em Moscovo, como o mais deslumbrante de sempre graças à utilização de meios tecnológicos avançados, num décor a rebentar de electricidade à solta, sem os sovietes. Depois da China nos Jogos Olímpicos, os russos brilharam na Eurovisão. Hoje em dia nem em Las Vegas há tanta luz.

A SEGUIR

- Operações SAAL O filme de João Dias sobre ‘As Operações SAAL’, esse programa social e urbanístico de habitação em pleno PREC que envolveu arquitectos e população. A ver, quando os bairros como o da Bela Vista se degradam.

- O Gesto e a Palavra O livro ‘O Gesto e a Palavra’, da Caminho-Leya, promovido pela Associação Portuguesa de Surdos, que levou à Feira do Livro muita gente envolvida na promoção da língua gestual e na integração escolar dessa comunidade.

 

 

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