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Correio da Manhã

Opinião
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8 de Maio de 2010 às 00:30

Mas vê-lo indiferente ao que gente com enorme credibilidade recomenda nesta altura, perante a dramática situação das contas públicas, aflige. Não há profissão de fé que sustente a marcha em direcção ao abismo que o líder do PS prossegue indiferente a tudo e a todos, surdo às observações do Presidente da República, indiferente às vozes de ex--ministros das Finanças e alheio às recomendações de prudência que vêm de fora. Até Vítor Constâncio, que não é propriamente conhecido como a pessoa menos hesitante do País, se atreveu a dar um passo em frente, dizendo, alto e bom som, que seria normal o Governo adiar as grandes obras públicas previstas para os próximos anos. Mesmo Ricardo Salgado, por muitos considerado o verdadeiro banqueiro do regime, advoga prudência perante os ventos que abalam a economia mundial.

Não é este o sítio mais apropriado para enveredar por um exercício de análise sobre a estrutura psicológica do homem que chefia o Governo de Portugal. Nem sequer sou especialista na matéria, pelo que tal empreendimento constituiria uma ousadia a que não me devo atrever. Isso não me impede, no entanto, de reflectir sobre a imensa falta de sorte que nos acompanha, neste momento crítico, em que o bom senso teria necessariamente de reinar entre aqueles que foram eleitos com a missão de defender os interesses do País e se arriscam a conquistar um lugar na História como coveiros do futuro e dos sonhos de várias gerações de portugueses. Tanto mais que há cada vez menos tempo para agir.

O tempo, de facto, joga contra nós, tendo--se tornado já um luxo, para citar Constâncio, que não hesita em considerar que agora somos obrigados a fazer um 'ajustamento mais brusco, rápido e severo'. Há boas razões para pensar que o ministro das Finanças até tem a noção dos riscos existentes e da necessidade de agir com determinação e inflexibilidade na aplicação de medidas que invertam o rumo das coisas. A verdade, porém, é que se tem deixado submeter às orientações do primeiro-ministro, permitindo até que se desfaça a mítica imagem dos titulares das Finanças como homens revestidos de enorme poder e condicionadores da acção dos colegas dos Governos. Talvez fosse, afinal, a única pessoa capaz de travar Sócrates, que, por sinal, ainda não percebeu que é cada vez mais o 'problema'.

SOLTAS

O AMIGO CHÁVEZ

A devolução a Portugal de toneladas de óleo pela Venezuela é um exemplo dos maus negócios efectuados com aquele país e promovidos por Sócrates. Depois das casas pré-fabricadas que ficaram por fazer, Chávez mostrou que só o desespero da propaganda pode levar alguém a considerá-lo parceiro.

MAU PRIMEIRO ANO

Para o Sporting esta foi uma época a riscar do mapa. O primeiro ano de mandato de José Eduardo Bettencourt não vai deixar saudades. O presidente do clube leonino foi errático nas escolhas para o futebol, restando-lhe agora esperar que Costinha faça renascer a esperança.

'SUITE DAMA DA NOITE'

Manoela Sawitzki é outra escritora brasileira que descobri num destes dias. ‘Suite Dama da Noite’, publicado no ano passado, prendeu a minha atenção. Ninguém mo tinha recomendado. Deixei-me atrair, primeiro, pelo título, depois, pela escrita. Por vezes, compensa arriscar na descoberta.

NOTAS (Escala de 0 a 20)

13 - CAVACO SILVA

Embora pense que deveria ser mais incisivo quanto às obras públicas que Sócrates faz avançar, age bem ao manter a pressão sobre o Governo, ainda que de forma indirecta.

13 - VÍTOR CONSTÂNCIO

Surpreendeu o modo como não escondeu o que pensa sobre a política de investimentos do Governo. Na hora da saída, as hesitações ficaram para trás.

6 - PINTO MONTEIRO

Não se entende a recusa de enviar para Aveiro os seus despachos sobre as certidões das escutas a Sócrates. Transparência da Justiça no seu apogeu...

3 - RICARDO RODRIGUES

Inacreditável o que fez na entrevista a dois jornalistas da ‘Sábado’. Ao apoderar-se dos gravadores deixou claro o respeito que tem pela liberdade de imprensa.

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