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Correio da Manhã

Opinião
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23 de Dezembro de 2008 às 09:00

Há poucos dias, no final de um almoço de Natal com amigos, despedíamo-nos com os habituais votos de Boas-Festas. Eis que uma conviva exclama: "Não se esqueçam do verdadeiro Aniversariante!" Parámos todos por uns segundos. O verdadeiro Aniversariante, claro. Jesus de Nazaré. Numa sociedade cada vez mais racional, mais secularizada e multicultural, o Natal transformou-se num franchising à escala global do merchandising pagão alusivo à quadra. Não se trata de entrar em discursos moralistas, mas, no meio da cortesia burocrática de cartões de Boas-Festas enfeitados com bonecos de neve, dos milhões de SMS pré-formatados e de Pais Natais insufláveis à porta de lojas chinesas, perdeu-se de vista o essencial da festa. A busca de presentes à medida de cada bolsa e a demais logística frenética da época fazem-nos esquecer que celebramos um nascimento ocorrido há 2000 anos, que mudou a Humanidade para sempre.

Em 2008, a Igreja Católica tem de assistir, com toda a tolerância, a mais um Natal, com rituais e tradições vividos com indiferença religiosa e sem compromissos cristãos. Ora a Igreja precisa de fé e de fiéis. E para tal precisou de repensar a comunicação da fé e os métodos de evangelização. Respondendo ao desafio, num acto de aproximação aos sinais dos tempos, o bispo do Porto, D. Manuel Clemente, gravou e colocou no espaço cibernético YouTube a sua mensagem de Natal (www.youtube.com/dioporto). Fala-nos, com humildade e compreensão, sobre as dificuldades da vida real. Sobre a complexidade da época que vivemos e como ela agita a nossa consciência, nos traz interrogações e perplexidades. Convoca-nos para actos de boa vontade, por mais pequenos que sejam. Apela à nossa determinação para ultrapassar os problemas; encoraja-nos a procurar soluções; a não desistir.

Como todas as instituições compostas por seres humanos, a Igreja Católica não é infalível. Tem as suas grandezas e as suas misérias. Mas nunca esqueçamos que, ao longo de dois milénios, ela interpretou e preservou a mensagem de esperança e de solidariedade que o Aniversariante nos deixou. Foram estas e outras Igrejas cristãs que criaram estruturas de apoio social, 500 anos antes de existir o Estado-Providência; alfabetizaram povos inteiros antes de qualquer rede escolar; e os seus missionários continuam a amparar os mais desfavorecidos pelo Mundo fora. Não nos deixemos, pois, confundir sobre o Natal e o seu significado.

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