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Correio da Manhã

Opinião
24 de Outubro de 2009 às 00:30

A última foi a do miúdo do balão. Os pais de Falcon, de seis anos, alegaram à polícia que o filho estava à deriva num balão de hélio, pelos céus do Colorado. Compreensivelmente, entrou tudo em parafuso e afluíram mais câmaras de TV do que uma praga de gafanhotos. Era tudo treta: o puto nunca tinha saído um palmo do chão – era um ‘marketing’ da família para um eventual reality show. O que flutua a sério é a forma como a TV americana trata Obama.

Primeiro (com excepção da FOX), e de forma inédita, trataram-no a pão-de-ló. Qualquer bocejo dele era uma pérola. Mas, como o tempo cobra a sua portagem e o programa de saúde pública é polémico, a coisa desandou.

O novo presidente degenerou em saco de pancadas e o melhor programa de humor dos EUA – o Saturday Night Live (SNL)– criou um quadro só para o ridicularizar. Pois bem, a maré acaba de mudar outra vez. O SNL recrutou esta semana o actor Dwayne Johnson (o ex-wrestler ‘The Rock’) para encarnar ‘The Rock Obama’, arrancando braços de republicanos no palco, etc. E, num programa de debates na ABC, o economista Paul Krugman (Nobel este ano) reagiu veementemente às críticas a um eventual “Obama fraco”, dizendo que “ele agora é que está a fazer as coisas certas”. Entretanto, os canais americanos de notícias, que estavam histéricos com a história do “miúdo do balão”, ao perceberem a impostura correram todos a realçar a reconstrução de Nova Orleães, comandada por Obama. Resta, claro, a FOX News.

O principal assessor de comunicação de Obama, David Axelrod, foi ao programa ‘This Week’, da ABC, e defendeu a posição da Casa Branca, de passar a tratar a FOX como partido e não como jornalismo. Lembra a peixeirada entre a TVI e Sócrates. Segundo Axelrod, “Rupert Mordoch [dono do canal] tem talento para fazer dinheiro, e percebo que a sua programação seja ditada pelo lucro. Só que aquilo não é um canal de notícias a sério, pois impõe um ponto de vista, distorcendo factos”.

Era mau que Obama fosse unanimidade (toda a unanimidade é burra). Nove meses depois da posse, tratá-lo com rigor e isenção chega perfeitamente. Mas a função dos media não é só informar é também fiscalizar o poder.

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