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Correio da Manhã

Opinião
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Eduardo Dâmaso

Os donos do partido

Com a lucidez e inteligência que o caracterizam, Pacheco Pereira sintetiza tudo o que é possível dizer sobre a crise que o PSD atravessa.

Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 19 de Julho de 2007 às 00:00
É simples: o PSD desagregar-se-á enquanto for um mero instrumento de poder disputado entre os que pensam ser ‘os donos do partido’ e os grupos ligados “ao clientelismo dos pequenos poderes”. Ou seja, a “gente de cima”, que só aparece quando o poder está próximo, e a “gente de baixo”, que domina os sindicatos de voto do aparelho.
Esta é a fractura que existe no PSD desde os tempos de Cavaco Silva, também ele vitimado na guerra que tentou travar contra o “clientelismo dos pequenos poderes”. Saiu da liderança depois de um penoso tabu e daí em diante nunca mais parou de crescer a guerra entre os ‘donos do partido’ e os grupos do “clientelismo dos pequenos poderes” que teve como expressão máxima a luta dos notáveis contra Santana Lopes. O problema do PSD é que os “notáveis” têm da política uma noção meramente majestática, ou seja, têm o vício de análise próprio das elites que pensam ser possível adaptar a realidade àquilo que é a sua visão da dita. O “clientelismo dos pequenos poderes” limita-se a ocupar os espaços vazios, explorando a falta de comparência sistemática da “gente de cima”. E os barões de tais pequenos poderes sabem que essa estratégia nunca falha. Empobrece o partido, torna-o mais pequeno e claustrofóbico, mas para eles nunca falha.
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