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Correio da Manhã

Opinião
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28 de Outubro de 2002 às 00:58
E mais: penaliza os países que ultrapassarem esses valores. Podemos argumentar contra a existência de tais quotas com o facto de os agricultores portugueses serem, a exemplo da esmagadora maioria dos trabalhadores, dos que menos rendimentos auferem no seio da Europa e esta limitação os impedir de encontrarem uma alternativa para aumentarem as receitas.

No entanto, como em tudo, há prós e há contras. Os responsáveis europeus, ao decidirem impor restrições à produção, estão também a pensar no equilíbrio entre a produção e as necessidades do mercado.

Ou seja: conhecendo a quantidade que se consome na União Europeia e os compromissos comerciais com países terceiros, Bruxelas sabe quanto a Europa precisa de produzir e impõe então a quota de cada Estado.

E se há certos bens em que não há necessidade de impor valores de forma tão rigorosa, porque só alguns países têm condições para os produzir, no leite passa-se o contrário: a produção está espalhada por toda a Europa.

Ora, se cada um produzisse a quantidade que quisesse, seria mais que certo o surgimento de um desequilíbrio terrível: a oferta superaria largamente a procura. Nesta situação e para produzirem mais, os agricultores fariam maiores investimentos e veriam subir os custos dos factores de produção. Depois, provavelmente, as receitas não cobririam os custos. E os consumidores também não teriam nada a ganhar com isto.
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