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Correio da Manhã

Opinião
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Fernando Calado Rodrigues

Os escândalos na igreja

Os últimos dias do Pontificado de Bento XVI foram marcados pelas notícias mais mirabolantes. Desde o hacker desaparecido ao lobby gay que forçou a renúncia do Papa, de tudo apareceu nos jornais, sobretudo italianos. Os escândalos sexuais, nomeadamente a pedofilia de membros do clero, apareceram de novo. Com os inúmeros casos reportados pelos meios de comunicação social, cria-se a sensação de que a maioria dos clérigos são pedófilos ou assediadores.

Fernando Calado Rodrigues 1 de Março de 2013 às 01:00

Na verdade, dos mais de quatrocentos mil clérigos dispersos pelo Mundo, só uma percentagem muito diminuta prevarica. Contudo, nem que fosse apenas um, seria sempre abominável que tal acontecesse no seio da Igreja, sobretudo quando são envolvidos menores de idade. Muitas vezes - até demasiadas vezes -, a hierarquia católica tem a tentação de abafar os escândalos e de adiar a sua solução, em vez de encarar os problemas de frente e de procurar formas de os prevenir e resolver em tempo útil.

O, desde ontem, Papa emérito, não fez assim ao longo do tempo, ainda que curto, em que esteve ao leme da barca de Pedro. Ensinou a Igreja a enfrentar os problemas com determinação. Denunciou e condenou esses comportamentos como ninguém. Exigiu aos outros bispos a elaboração de normas claras a adotar nessas circunstâncias, bem como uma investigação rigorosa dos factos e a colaboração com as autoridades civis. Em relação aos processos canónicos, dilatou os prazos da prescrição dos crimes - que nos casos mais graves podem mesmo não prescrever - e agravou as penas canónicas.

Todavia, a sua atitude mais pedagógica foi o acolhimento das vítimas. A capacidade de se comover com as atrocidades a que foram sujeitas e a humildade demonstrada ao pedir-lhes perdão.

Muitos aproveitam os escândalos para esgrimir argumentos contra o celibato. A Igreja, nesta era mediática, sem pôr em causa o valor e a importância da vida celibatária, deve aprender a encará-los com frontalidade e sem medo da verdade. Tem de defender e acompanhar as vítimas: tanto as que foram abusadas e violentadas na sua dignidade, por quem as devia proteger e ajudar a desenvolver, como os que injustamente foram acusados de crimes que não praticaram. E entre estes também se contam vários clérigos.

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