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Correio da Manhã

Opinião
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5 de Julho de 2011 às 00:30

A partir de 1974, Portugal abandonou bastantes fileiras da sua produção industrial. A metalomecânica pesada, a química ou equipamentos eléctricos e de telecomunicações são exemplos que, infelizmente, são replicáveis no tecido produtivo português. Nesse mesmo sentido, a indústria de construção e reparação naval sofreu um profundo retrocesso. Margueira, Aveiro e Figueira da Foz são disso exemplos. Praticamente, e com expressão produtiva, resta-nos Viana do Castelo.

Há muitos anos que os ENVC se debatem com uma profunda crise financeira, tecnológica e de gestão. Não sendo especialista na área, sei contudo que uma unidade industrial dessa natureza não produz apenas navios, mas uma gama conexa de bens, de modo a rentabilizar a sua mão-de-obra e as suas instalações fabris. Em Viana do Castelo isso não sucede. A capacidade de inovação tecnológica na área de projecto e construção é relevante, mas não se conhecem acréscimos significativos nesse domínio, concretizados nos últimos anos. A possibilidade de encontrar mercados que não se circunscrevam somente a Portugal ou à Venezuela é condição de sobrevivência. Essa visão não é perceptível.

Todos estes elementos, nucleares para a manutenção e sustentabilidade da empresa, não são de fácil obtenção através de uma estrutura de capitais exclusivamente pública. Aos ENVC falta-lhes carteira de encomendas, tecnologia e dinheiro, e tudo isso não se obtém com a actual propriedade da empresa.

Há muito, muito tempo que o Estado, através da EMPORDEF, deveria ter suscitado uma operação de angariação de um parceiro industrial estrangeiro, que disponibilizasse aquelas valências.

O que se fez com a parceria da EMBRAER para as OGMA deveria ter sido feito para Viana do Castelo. É tarde, mas nem tudo está perdido. É urgente uma acção de encontro desse parceiro. Só isso dará estabilidade a longo prazo.

AICEP, EMPORDEF, Administração dos ENVC devem envolver-se para encontrar em conjunto essa solução.

Se alguém acredita que uma reestruturação que apenas injecte mais capital e reduza o pessoal fabril é solução a longo prazo, engana-se e apenas adia o problema.

Só no exterior existe – se ainda existir – solução para o futuro da empresa.

Por vezes uma privatização – mesmo que parcial como esta, é também a condição necessária para a salvação do emprego e da empresa.

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