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Correio da Manhã

Opinião
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5 de Julho de 2007 às 00:00
Mas a nível de clubes, que são a sua origem e motor e correspondem às empresas nos outros negócios, deparamos com uma situação insólita: para eles, pode dizer-se que, sem excepção, o futebol é um negócio estranhamente insolvente e à beira da falência. E digo “estranhamente” porque, se os clubes estão falidos e sem capacidade para gerar receitas que cubram a suas despesas correntes, agonizando entre dívidas e passivos enormes, os seus parceiros de negócio, digamos assim, ganham rios de dinheiro.
As TV facturando receitas de publicidade invulgares e batendo com o futebol os seus índices de audiência, o intermediário dos direitos de televisão, a Olivedesportos (à qual os clubes oferecem há décadas a mina de ouro dos “seus” direitos televisivos), os intermediários das suas compras e vendas de jogadores, os tais empresários-FIFA, os próprios organismos desportivos como a FPF, que tem dinheiros a render na banca.
Alguns deles concorrem até com os próprios clubes, compram jogadores, emprestam-lhes dinheiro a juros ou são accionistas de referência das pobres e descapitalizadas SAD. Como nada acontece por acaso, estas situações são explicadas pelo alheamento dos poderes públicos e pela gestão ruinosa e irresponsável de muitos dirigentes dos clubes. Voltarei ao assunto.
P.S. – O major Valentim Loureiro, presidente da Assembleia Geral da Liga de Clubes, foi punido pela mais alta instância jurisdicional do futebol português, o Conselho Superior de Justiça, presidido pelo juiz desembargador Herculano Lima, com a pena de seis meses de suspensão das suas funções.
Duas curiosidades: uma é que o major V.L. pediu, ele próprio, ao Conselho Superior de Justiça, em Janeiro deste ano, que lhe fosse movido um processo disciplinar com base na acusação de corrupção desportiva activa que fora deduzida contra si pelo MP, “para que tudo fique clarificado, pelo menos no plano desportivo”; outra é que este castigo, que teve um único precedente, é inabilitante (artigos 16.º e 17.º do Estatuto da FPF), o que, sendo a Liga um organismo da FPF, quer dizer que o sr. major nunca mais pode ser dirigente desportivo.
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