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Correio da Manhã

Opinião
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Eduardo Dâmaso

Os velhos do Restelo

Um dos factos mais interessantes da crise que nos rebentou nas mãos está na forma como ela prova, de forma irrefutável, a razão que tinham os ‘velhos do Restelo’ que alertaram para os caminhos perigosos trilhados pela economia.

Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 30 de Abril de 2010 às 00:30

Silva Lopes, Medina Carreira, Campos e Cunha, Eduardo Catroga, João Duque e tantos outros foram avisando de que o endividamento era excessivo, que a economia real não funciona nem está internacionalizada, que os custos sociais são progressivamente insuportáveis. Foram avisando e demonstrando com os números. Mais: foram apontando as reformas necessárias para diminuir a despesa, aumentar a eficiência e competitividade da economia. Essas vozes foram diabolizadas e chamaram-lhes de tudo – velhos do Restelo, cassandras da desgraça, profetas do apocalipse e por aí adiante. Foi a partir do próprio Governo e do PS que a manobra de desacreditação foi montada, recolhendo vasto acolhimento mediático. É por tudo isso que se torna particularmente irresponsável continuar a falar apenas da crise internacional e dos ataques especulativos como a razão de todos os nossos males. É por tudo isso que o Governo hoje fala e ninguém leva a sério. Já todos percebemos que com esta política não vamos a lado algum e que, apesar de tudo, é preferível ouvir os velhos do Restelo do que os jovens da Gomes Teixeira.

 

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