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Correio da Manhã

Opinião
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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Armando Esteves Pereira

Os vértices unidos do triângulo

[Sócrates] conta com a cooperação explícita e estratégica do Presidente e com a colaboração de Constâncio.

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 17 de Dezembro de 2006 às 00:00
Sócrates recebeu o Governo com um pesado défice público e a economia estagnada, mas é um primeiro-ministro com sorte. Além da confortável maioria parlamentar, o primeiro-ministro conta com a cooperação explícita e estratégica do Presidente da República e com a inestimável colaboração do governador do Banco de Portugal, que, se ainda há poucos anos era um dos arautos do pessimismo realista de Portugal, agora é um defensor entusiasta da política económica do Governo.
Esta semana, nas múltiplas intervenções públicas que realizou, Constâncio mostrou-se confiante na retoma em 2007 e sublinhou que “Portugal está finalmente a fazer consolidação orçamental e terá a sustentabilidade das finanças públicas assegurada no médio/longo prazo”.
Adianta o governador do Banco de Portugal que se “a partir de 2010 passarmos para um défice público total que, ao longo do ciclo, seja mais ou menos de uma situação de equilíbrio poderemos ter a garantia de que o rácio da dívida pública irá descer e, portanto, teremos a sustentabilidade das finanças públicas assegurada no médio longo/prazo”.
Constâncio explicou que as “previsões apontam em 2006 para uma redução do défice estrutural de 1,7 por cento num ano apenas e a despesa pública, corrigida do efeito do ciclo, cai meio ponto percentual do PIB, o que é a primeira vez que acontece em Portugal desde há décadas”. “Isto sem ter a ver com medidas extraordinárias, tratando-se, portanto, de uma real consolidação”, frisou.
SEM ÁLIBIS
Para Vítor Constâncio, as reformas estruturais levadas a cabo pelo Governo são “positivas” e “dão garantias de médio/longo prazo”, em particular a da Segurança Social, cujo efeito a prazo “é muito significativo”.
Com tanta cobertura, Sócrates e Teixeira dos Santos não têm álibi se falharem o compromisso assumido perante Portugal e os seus parceiros europeus no âmbito do PEC (Plano de Estabilidade e Crescimento), e que exige um verdadeiro sacrifício dos cortes do Estado.
CONTRATAÇÃO POLÉMICA
O Grupo Espírito Santo contratou a deputada Maria de Belém para consultora. O grupo aposta forte no negócio da saúde e prepara-se para abrir em Lisboa o Hospital da Luz, que está a contratar médicos do Serviço Nacional de Saúde. Ao recrutar a ex-ministra da Saúde, o Grupo Espírito Santo não contrata apenas o saber de uma perita, paga o acesso e os contactos da presidente da Comissão Parlamentar de Saúde. Incrivelmente, não há nenhuma lei que proíba esta acumulação. E a moral não se sobrepõe à lei?
DEMISSÃO FORA DE TEMPO
Jorge Vasconcelos demitiu-se da presidência da autoridade reguladora do mercado eléctrico, a ERSE, e acusou o Governo de acabar com a independência da regulação do sector. Vasconcelos não gostou que, em vez do aumento que decidiu, de 15,7%, para as tarifas dos consumidores domésticos, o Governo tenha imposto um limite de 6%.
A vice-presidente da ERSE considerou a posição do líder “inconsistente”, um adjectivo apropriado, porque, se o presidente da ERSE considerava a decisão um ataque à sua independência, ter-se-ia demitido quando teve conhecimento da medida e não agora, apenas a algumas semanas do fim do seu mandato de dez anos.
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