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Correio da Manhã

Opinião
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20 de Outubro de 2002 às 00:01
Em 1999, o dr. Durão Barroso afirmou que a construção de um novo aeroporto na Ota era "má para Lisboa." E acrescentou: "Acho que é imoral gastar entre 500 e mil milhões de contos com a construção de um novo aeroporto num País com as carências de Portugal. Comigo, não haverá novo aeroporto de Lisboa e aquele dinheiro irá para construções e obras públicas no conjunto do País, onde fazem muita falta." Disse ainda: "Se for primeiro-ministro, uma das primeiras medidas que tomarei será suspender e anular imediatamente a construção de um novo aeroporto internacional na área de Lisboa."

Durante a campanha eleitoral o dr. Durão Barroso garantiu que, caso fosse eleito primeiro-ministro, não seria construído o novo aeroporto enquanto houvesse crianças em listas de espera nos hospitais. Também o dr. Isaltino Morais, enquanto "ministro-sombra" das Obras Públicas, afirmou que "há que estudar a melhor localização do futuro aeroporto. Terão de ser estudadas as melhores hipóteses, antes de se tomar uma decisão, que pode ser Ota como Rio Frio, os dois locais que têm sido referidos." Se houvesse honradez política, esta deveria ser a opção do Governo por ser a mais correcta e transparente.

O PSD na oposição, jamais concordou com o novo aeroporto na Ota. O seu deputado Castro de Almeida disse no Parlamento que "o Governo deveria ter a coragem de não avançar com a obra, uma vez que os pareceres técnicos, de tão contraditórios, não garantem a fiabilidade para tomar esta decisão."

O deputado Telmo Correia do CDS-PP, hoje no Governo, questionou o ministro Jorge Coelho sobre o segredo para "silenciar o presidente da Câmara de Lisboa", que era contra o novo aeroporto na Ota. É por isso muito estranho que a coligação governamental não mantenha a coerência das posições que assumiu quando estava na oposição.

Ao contrário do que o Governo já anunciou, a melhor localização estratégica para o novo aeroporto de Lisboa é Rio Frio, como todos os estudos provam e recomendam desde 1969. Se isso não acontecer é porque o Governo, tal como o anterior, cedeu às pressões dos lóbis do Oeste e de Espanha, que vai ter um mega-aeroporto em Badajoz. Logo, se optar pela Ota, não será por ignorância mas porque caiu na armadilha que o governo socialista lhe preparou para construir um "elefante branco" aeroportuário.

Por isso, e para ser coerente, o Governo devia revogar a decisão tomada. Se o não fizer comete um grave erro histórico, em termos estratégicos e de soberania, face ao crescente domínio económico e estratégico de Espanha sobre Portugal.
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