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Opinião
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Eduardo Dâmaso

Pacto de corrupção

Alguns deputados estão incomodados com as regras de combate ao conflito de interesses e à corrupção que quase foram obrigados a aprovar devido aos escândalos. Convenhamos, porém, que estamos ainda assim muito longe de combater realidades que explodiram na face de vários sistemas políticos europeus nos anos 80.

Eduardo Dâmaso(eduardodamaso@sabado.cofina.pt) 5 de Julho de 2010 às 00:30

Em França, o caso dos empregos fictícios na Câmara de Paris, chamuscando Chirac, mostrou o que ficou conhecido co-mo um ‘pacto nacional de corrupção’. Os contratos para construção de edifícios públicos eram distribuídos por empresas amigas que sempre apresentavam as melhores propostas. Depois, havia uma percentagem fixa de 2% do volume dos contratos de obra que era dividida por todas as forças políticas, num bolo superior a 25 milhões de euros só num curto período investigado. A Justiça abriu dezenas de inquéritos, obteve algumas condenações, mas no essencial desapareceram documentos vitais para produzir prova contra os principais responsáveis políticos, Chirac e amigos incluídos. Muitos milhões gastos com advogados permitiram eternizar a litigância e convencer comentadores e líderes de opinião da pertinência do debate da presunção da inocência contra o justicialismo populista, enfim, a ladainha do costume. Lá, em França, como cá, em Portugal!

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