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Correio da Manhã

Opinião
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4 de Junho de 2012 às 01:00

Desta vez, foi o último relatório do Tribunal de Contas sobre as concessões rodoviárias. Já sabíamos que as parcerias público-privadas eram um encargo brutal para o país e que as Scut tinham sido uma perigosa invenção para o erário público. Agora, ficámos a saber, preto no branco, o que não lembra ao careca – que o governo anterior enganou o Tribunal de Contas e lhe ocultou contratos para tentar esconder que andou a fazer renegociações que oneravam ainda mais o dinheiro dos contribuintes. E tudo isto, ao que parece, em 2010, ou seja, quando já estávamos no coração da crise. Muito edificante!

Em tudo isto, o que mais impressiona já não é a gravidade institucional de um governo que esconde contratos a um Tribunal que legalmente sobre eles deve pronunciar-se. Nem sequer o facto de um governo tomar decisões na base do truque e do chico-espertismo em vez de agir com clareza e transparência. Chocante mesmo é a leviandade com que se tomam decisões que geram mais despesa pública, acarretando a seguir mais impostos para a suportar. Essa é que é a questão: é suposto um governante defender o interesse público e não maltratá-lo, é suposto um político servir o cidadão e não agredi--lo com decisões irresponsáveis. É suposto!

É por estas e outras decisões que os portugueses passaram este ano 155 dias (ou seja, até ontem) a trabalhar não para si mas para pagarem impostos ao Estado. É quase meio ano a trabalhar para alimentar a máquina do Estado, a clientela do Estado, as mordomias do Estado, as decisões irresponsáveis do Estado. Só que quem cria riqueza não é o Estado, são as pessoas e as empresas. E se a estas faltam recursos para investir, a consequência é a recessão e o desemprego. É justamente isto que deve ser lembrado aos ex-governantes que, agora na oposição, choram lágrimas de crocodilo a reclamar crescimento e emprego. Não seria melhor terem um pouco mais de pudor e vergonha, eles que andaram, para além do admissível, a contrair mais despesa, mais dívida e, logo, mais impostos para pagar? Afinal, falar é fácil. Difícil mesmo é ter autoridade para falar.

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