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Correio da Manhã

Opinião
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23 de Agosto de 2004 às 00:00
No êxito de Obikwelu valeram a pena até circunstâncias e apoios a que ninguém ligou nenhuma. Organizar os Mundiais de Atletismo para Juniores, em 1994, e reconstruir para o efeito o Estádio Universitário de Lisboa foi criticado pelos gastos de dinheiros públicos. Mas valeu a pena.
Sem esses Mundiais, Obikwelu dificilmente viria para Portugal. Assim ficou por cá, à procura de vida melhor, que meteu trabalho nas obras, sem nunca perder a vontade de ser campeão. Tornou-se-lhe assim mais fácil despertar apoios modestos, mas decisivos, que o recolocaram no caminho da glória desportiva. Foi excelente que os cidadãos não o remetessem para os braços do Estado. Talvez a vantagem de ser um estrangeiro que, só depois, obteve passaporte português e se tornou orgulho nacional.
Não é necessário nascer neste cantinho europeu para honrar Portugal. Afinal, Eusébio também nasceu em África. E os EUA só ganharam a corrida à Lua com o engenho de Von Braun, um emigrante de origem alemã. Todos os países ganham em abrir-se ao Mundo.
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