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Rui Pereira

Parabéns PSP!

A PSP está em condições de se reproduzir formando os quadros desde a base até ao topo.

Rui Pereira 21 de Agosto de 2015 às 23:37
Por alguma razão se diz, em matéria de segurança e criminalidade, que não haver notícias é uma excelente notícia. Um homicídio perverso, um roubo violento, a violação de uma criança, a corrupção de um alto dignitário, um incêndio devastador ou um trágico acidente rodoviário são, sem dúvida, acontecimentos importantes e até tendem a ser os únicos que a comunicação social relata. Todavia, há outros factos, porventura mais subtis, que não são menos relevantes.

Há poucos dias, houve promoções na Polícia de Segurança Pública que incluíram a transição de treze superintendentes para a categoria mais elevada – Superintendente-Chefe. O facto parece inócuo: em qualquer organização, os profissionais devem ser avaliados e promovidos de acordo com o seu mérito. Todavia, estes oficiais são os primeiros, de entre os formados no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna, que alcançaram o topo da carreira.

A PSP está, pois, de parabéns, porque se tornou uma organização "autopoiética", ou seja, está em condições de se reproduzir, formando os seus quadros desde a base até ao topo. Isto não significa, no entanto, que se deva transformar num organismo endogâmico que reproduza acriticamente procedimentos. A formação tem sido ministrada por uma mescla de oficiais da PSP e de professores de diversas proveniências, que garantem uma constante atualização dos saberes.

A promoção destes oficiais – que tive o privilégio de conhecer em funções – coroa um caminho que teve o seu momento decisivo quando a PSP deixou de ser militarizada e se converteu em polícia civil, formando com a GNR (que mantém a sua natureza militar) o modelo dual que tem dado boas provas no contexto do sistema de segurança português. A PSP já não precisa hoje de "importar" do exército aqueles oficiais que tão bons serviços prestaram ao longo de décadas.

Por tudo isto, a PSP e os oficiais promovidos estão de parabéns. Oxalá (isto é, Deus queira, de acordo com a origem árabe do vocábulo) estes novéis "generais civis" tenham sucesso no desempenho das suas exigentes funções de comando e direção. Uma coisa é certa: estão capacitados como ninguém para avaliar a complexidade da sua missão na manutenção da ordem democrática, da segurança interna e da paz pública e na prevenção e na investigação criminal.
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