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Correio da Manhã

Opinião
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2 de Maio de 2009 às 00:30

É um conceito de politólogo e uma frase do discurso pré-político de Cavaco Silva. Certa, se aplicada a algo mais do que aos dois partidos do sistema governamental, errada, se limitar o futuro das soluções políticas às diferentes combinações entre o PS e o PSD. Não se pode partir dos partidos estruturantes para as eleições mas do resultado destas para a teoria da decisão dos entendimentos necessários.

Deste ponto de vista o PR precipitou--se, embora sem gravidade. Os portugueses neste momento não morrem de amores nem pelo PS nem pelo PSD, e preferem certamente que quando um está no governo o outro esteja na oposição, porque assim ao menos alguma acção de fiscalização e emulação exercem um sobre o outro, limitando a captura completa do poder político por cada um deles. Daqui decorre que o pior cenário futuro para a transparência democrática seja um governo de coligação entre os dois.

O que se ganharia em representatividade e consenso perder--se-ia em credibilidade e confiança. Voltaria a tendência para dividir a sociedade entre governantes e governados, para a partilha de áreas de articulação entre o mundo da política e o mundo dos negócios já saturadas de dúvidas e suspeitas vindas do passado e do presente, resumidas no ‘bloco central de interesses’. Quanto à fiscalização governamental ela ficaria remetida para as margens do sistema, com fortes probabilidades de radicalização nesta altura de crise. Se calhar nem com uma alteração de políticas e de pessoas em ambos os partidos esse bloco central teria uma expectativa favorável. Um tal governo ‘estruturante’ começaria sem estado de graça.

GUANTANAMO: PAUTAR O SOFRIMENTO

Os juristas dos EUA discutiram no princípio do século XX se havia o direito de governar outro povo sem lhe aplicar a Constituição de Filadélfia. Foi uma controvérsia digna. Neste início do século ocupam-se dos limites ao sofrimento que se pode causar a um prisioneiro durante os interrogatórios na base de Guantanamo. É horrível.

Foi Barack Obama quem mandou publicar os documentos sobre as torturas infligidas aos suspeitos de terrorismo da al-Qaeda. Lá está o parecer jurídico sobre as 'dez técnicas' capazes de obrigar alguém a prestar declarações, e sobretudo a fornecer informações, como a graduação da velha tortura do sono 'para impedir o indivíduo de reflectir', estimada entre 72 horas e 11 noites, e o uso da moderna técnicado 'afogamento simulado'.Recomenda-se os vinte graus como temperatura ambiente para manter nu o interrogado.

Esse documento revela uma arrepiante misturade civilização e de barbarismo científico.

CARTAZES E HISTÓRIA

Já aqui falei no cinzento cartaz do PSD. Agora é a vez de um do PS que tropeça na História. O culto da imagem e da personalidade, as estratégias insinuadas para o futuro, as mensagens subliminares, tudo isto se pode inserir, e até admitir, num simples cartaz de propaganda política, porque ninguém procura a verdade num outdoor. Mas não deixa de ser revelador e bem irónico o erro detectado na data da assinatura doTratado de Adesão de Portugal à CEE num cartaz do actual PS…

O CLUBE DAS VIRGENS

Este jornal noticia as dificuldades que a menina Margarida Meneses está a encontrar para formar um clube de virgens, uma ideia que à primeira vista atrairia muitos sócios. Porém, segundo Margarida 'as mulheres ainda têm muita vergonha de assumir a virgindade'. A mim o que me faz impressão é o advérbio ainda. A axiologia aponta para o já. Quanto ao 'assumir', tudo tem o seu tempo….

MARCAÇÃO AO ÁRBITRO

Com o aproximar do fim do campeonato as tácticas para ganhar refinam. E convém não esquecer o árbitro. Paulo Bento deu o exemplo e tornou-se exímio em marcar exuberantemente os árbitros durante os 90 minutos de jogo sem castigo digno de nota. Já Rui Costa mal se senta no banco suplementar e circula pela zona mista é logo castigado pela Liga com um mês de suspensão. Assim quem fica sem marcação é o Bento!

A SEGUIR

Feiras do Livro: Há cada vez mais e facilitam a democratização da leitura. Mas a de Lisboa começou mais cedo e prolonga-se até ao dia 17, com um horário mais diurno do que nocturno, o que pode ser uma nova ‘barraca’. No Porto a feira será em Junho.

TDT: Não, não são as iniciais do terrível insecticida do século passado! É a televisão digital terrestre com as suas qualidades que se difunde a título experimental pelo território nacional. Mais canais só se forem mesmo bons.

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