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Correio da Manhã

Opinião
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Pedro Santana Lopes

Passos e Portas devem falar mais

Pedro Passos Coelho fez uma intervenção no 1º de Maio que considero, provavelmente, a melhor desde há muito tempo.

Pedro Santana Lopes 3 de Maio de 2013 às 01:00

Isto para não dizer que foi a melhor desde que é Primeiro-Ministro. Explicou, de modo simples e bem estruturado, algumas das matérias que são temas recorrentes em debates entre vários ilustres da nossa praça, a começar pelos membros do Parlamento.

Um exemplo: afirmou, de modo categórico, que temos, hoje em dia, as taxas de juro mais baixas que alguma vez tivemos neste tipo de financiamento. Quantas vezes ouvimos afirmar em debates, análises e comentários que é preciso renegociar as taxas de juro porque são abusivas? Elaborou, também, de modo claro e pragmático, sobre o significado e as consequências do estado de "quase bancarrota" que o nosso País já conheceu nas décadas recentes. Por exemplo, em 1983, aquando do pedido de ajuda ao FMI, já só havia dinheiro para pagar mais 15 dias de cereais. Ou seja, também o pão que estávamos habituados a consumir.

Há dois anos, aquando do pedido de ajuda à Troika, pouco faltava para que deixássemos de pagar os salários da Função Pública e as pensões. O Primeiro--Ministro utilizou uma linguagem entendível. Falou simples e não se preocupou em usar uma linguagem mais sofisticada. Os Portugueses precisam que o Governo fale mais dos problemas deles e que haja menos notícias sobre os problemas do próprio Governo. Pedro Passos Coelho e Paulo Portas são dois bons oradores e falam de menos.

Cada um por suas razões, as quais nem sempre coincidirão, mas que levam ao mesmo resultado: défice de explicação das medidas do Governo. Como é óbvio, não ganham nada com isso. Só perdem por não acabarem com o ruído, falando das suas razões. Essas razões não são, no geral, música para nenhum ouvido, dadas as circunstâncias. Mas, pelo menos, que não se cale quem sabe mais – até por dever de ofício – do que muitos que se repetem uns aos outros, na especulação, no agoiro, na maledicência. Governar, nos tempos que correm, não se faz calando. Faz-se falando.

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