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Correio da Manhã

Opinião
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Francisco Moita Flores

Pedradas e bastonadas

Eu vi. Tomava café numa bomba de gasolina e o olhar fixou-se no canal de notícias que transmitia em directo a sessão de pedradas em frente à Assembleia da República.

Francisco Moita Flores 18 de Novembro de 2012 às 01:00

À minha volta, mais automobilistas paravam para ver os bandidos arrancando as pedras do chão, destruindo o património, encapuçados, rostos cobertos com máscaras, a apedrejar os polícias.

Depois recuavam para o interior da manifestação, embora uma certa esquerda manipuladora e muito (i)moral que por aí anda a defender os bandidos como heróis declare que já não havia manifestação e que aquelas centenas, ou milhares, de manifestantes eram apenas mirones.

Passado meia hora, meti-me à estrada sem perceber a passividade da polícia. Assistiam a sucessivos crimes de danos contra o património e, mesmo que ignorassem os insultos, era evidente que a chuva de pedras procurava agredir fortemente quem apenas cumpria a sua obrigação profissional. Soube depois que a coisa durou hora e meia até à ordem de dispersão.

Cinco minutos depois, a carga sobre quem desobedeceu. Mais tarde vi as imagens. Contentores incendiados, montras partidas, os mesmos bandidos com a cara tapada, à moda dos filmes de ‘cowboys’, desejando enfrentar os bastões. A técnica é velha.

Anseiam pelas câmara de televisão, que o bastão lhes entre no lombo com mais dureza, e logo a camisa aberta revelando as marcas da violência policial contra eles, coitadinhos, os pobrezinhos, os revolucionários que só ali estavam por causa da crise e não fizeram mal nenhum.

Vítimas da repressão fascista em que a polícia é a culpada de tudo. E essa esquerda caviar, despromovida a bife com ovo a cavalo por causa da mesma crise, garante que foi mesmo assim. A brutalidade da polícia contra os infelizes, os pobres, os explorados. Que com os poderosos não se metem. Que com o povo (não se importam de insultar o povo para defender bandidos) é que distribuem trolha e ninguém os chama à responsabilidade.

A míope Amnistia Internacional até lamentou os distúrbios provocados pelos bandidos cobardes de cara tapada, mas já os desculpou, e pede um inquérito à actuação policial. Aí, sim. Estão os verdadeiros culpados da crise e das pedradas. E daqui não passa o melhor da inteligência da tal esquerda ressabiada, sonhadora de revoluções a qualquer preço. Está certo. Não se lhe pode exigir mais.

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